* José Luis da Silva Nunes
O algodoeiro é uma planta que tem uma das utilizações mais completas e da qual se obtém variados produtos de utilidade. Ela é considerada a mais importante das fibras têxteis, representando mais de 40% da vestidura da humanidade. Segundo o Anuário Brasileiro do Algodão (2005), a cultura representa mais de 60% dos insumos têxteis brasileiros, sendo considerado uma das dez maiores fontes de riqueza no setor agropecuário do país. Para o mundo, essa cultura representa 65% das fibras têxteis em países como os Estados Unidos da América.
A cultura do algodão distribui-se entre mais de setenta países do mundo, sendo que quase 90% da área e da produção localizam-se no hemisfério Norte, em uma área anual superior a 30 milhões de hectares (Cotton World Statistics, 2002). Atualmente são cultivados no mundo dois tipos diferentes de algodão: o arbóreo a o herbáceo. O algodão arbóreo é aquele que parece uma árvore mediana, de cultivo permanente. Já a espécie herbácea (Gossypium hirsutum L.r. latifolium Hutch) é um arbusto de cultivo anual, sendo uma entre as 50 espécies já classificadas e descritas do gênero Gossypium. Entre estas espécies classificadas, 17 são endêmicas da Austrália, seis do Havaí, e uma no nordeste brasileiro. Cerca de 90% das fibras de algodão comercializadas no mundo são provenientes da espécie Gossypium hirsutum.
No Brasil, o plantio do algodão situa-se nas regiões Nordeste e Centro-Sul. Em virtude das diferenças climáticas dessas regiões, o plantio e a colheita efetuam-se em épocas diferentes, o que permite ao país ser o único no mundo a fazer duas colheitas anuais do algodoeiro, em épocas distintas. Isto é possível em função das características das regiões produtivas, já que, na região Centro-Sul, só se planta algodão anual (algodão herbáceo), enquanto que, na região Nordeste, planta-se o algodão anual e o algodão semi-perene (algodão arbóreo).
O algodoeiro é uma das mais antigas plantas domesticadas pelo homem, tendo sido encontrados registros de seu uso a mais de 4.000 anos. As primeiras referências históricas do algodão vêm de muitos séculos antes de Cristo. Na América, vestígios encontrados no litoral norte do Peru evidenciam que povos milenares daquela região já manipulavam o algodão. Descobertas de amostras de tecidos de algodão, encontradas na região dos Incas, mostram que este povo apresentava um artesanato têxtil muito desenvolvido, com confecções de grande beleza, perfeição e com grande combinação de cores.
No Brasil, pouco se sabe sobre a pré-história do algodão, mas alguns dados mostram que, pela época do descobrimento do país, os indígenas já cultivavam o algodão e convertiam-no em fios e tecidos. Os primeiros colonos chegados ao Brasil, logo passaram a cultivar e utilizar o algodão nativo. Porém as culturas de algodão não passavam de pequenas “roças” em volta das habitações sendo que o artesanato têxtil era trabalho de mulheres (índias e escravas).
Até 1860 o cultivo do algodão, no Brasil, era da espécie arbórea. Por essa época o algodão herbáceo foi introduzido no País e pela primeira vez na história, São Paulo se destaca como produtor desta fibra. A cultura do algodoeiro anual se expandiu por todo o Estado, apesar da inexperiência dos agricultores em cultivá-lo. Alguns imigrantes norte-americanos que se estabeleceram em Santa Bárbara nesta ocasião contribuíram bastante para orientar outros lavradores. Suas culturas serviram de modelo para as demais.
A crise do café das décadas de 20 e 30 proporcionou a cultura do algodão grande expansão nos estados de São Paulo e Paraná. Nesse período, a produção de algodão em pluma, em São Paulo, elevava-se de 4.000 para 100.000 toneladas. A conquista dos mercados mundiais, em virtude das boas qualidades das fibras foi possível e a produção continuou aumentando, para chegar ao clímax em 1944, com 463.000 toneladas. A partir daí, o futuro da cotonicultura em São Paulo estava não mais na expansão da área, mas no aumento da produtividade, que elevou-se continuamente.
Porém, a partir da década de 80, a cultura passou por grandes dificuldades, em função da chegada ao país do bicudo, que causa grandes danos a cultura. Além disto, políticas públicas que estimulavam a compra de algodão importado fizeram com que a demanda interna do produto, pela indústria têxtil nacional, entrasse em franco declínio. Tais dificuldades resultaram em baixas substanciais na produção nas tradicionais regiões produtivas, a ponto de São Paulo ter sua área plantada reduzida de cerca de 700 mil hectares no início da década de 90 para menos de 40.000 hectares em 2001.
Por outro lado, como alternativa para rotação com a soja, os produtores do Centro-Oeste optaram pela cultura do algodão como uma grande oportunidade de novos negócios. A segunda metade da década de 90 significou um marco na migração da cultura do algodoeiro, das áreas tradicionalmente produtoras para o cerrado brasileiro. Hoje esta região responde por 84% da produção brasileira de algodão, tendo o estado de Mato Grosso como maior produtor brasileiro.
O sucesso da cultura do algodoeiro no cerrado tem sido impulsionado pelas condições de clima favorável, terras planas, que permitem mecanização total da lavoura, programas de incentivo à cultura e, sobretudo, o uso intensivo de tecnologias modernas. Este último aspecto tem feito com que o cerrado brasileiro detenha as mais altas produtividades na cultura do algodoeiro no Brasil e no mundo, em áreas não irrigadas.
O algodoeiro é uma planta que tem uma das utilizações mais completas e da qual se obtém variados produtos de utilidade. Ela é considerada a mais importante das fibras têxteis, representando mais de 40% da vestidura da humanidade. Segundo o Anuário Brasileiro do Algodão (2005), a cultura representa mais de 60% dos insumos têxteis brasileiros, sendo considerado uma das dez maiores fontes de riqueza no setor agropecuário do país. Para o mundo, essa cultura representa 65% das fibras têxteis em países como os Estados Unidos da América.
A cultura do algodão distribui-se entre mais de setenta países do mundo, sendo que quase 90% da área e da produção localizam-se no hemisfério Norte, em uma área anual superior a 30 milhões de hectares (Cotton World Statistics, 2002). Atualmente são cultivados no mundo dois tipos diferentes de algodão: o arbóreo a o herbáceo. O algodão arbóreo é aquele que parece uma árvore mediana, de cultivo permanente. Já a espécie herbácea (Gossypium hirsutum L.r. latifolium Hutch) é um arbusto de cultivo anual, sendo uma entre as 50 espécies já classificadas e descritas do gênero Gossypium. Entre estas espécies classificadas, 17 são endêmicas da Austrália, seis do Havaí, e uma no nordeste brasileiro. Cerca de 90% das fibras de algodão comercializadas no mundo são provenientes da espécie Gossypium hirsutum.
No Brasil, o plantio do algodão situa-se nas regiões Nordeste e Centro-Sul. Em virtude das diferenças climáticas dessas regiões, o plantio e a colheita efetuam-se em épocas diferentes, o que permite ao país ser o único no mundo a fazer duas colheitas anuais do algodoeiro, em épocas distintas. Isto é possível em função das características das regiões produtivas, já que, na região Centro-Sul, só se planta algodão anual (algodão herbáceo), enquanto que, na região Nordeste, planta-se o algodão anual e o algodão semi-perene (algodão arbóreo).
O algodoeiro é uma das mais antigas plantas domesticadas pelo homem, tendo sido encontrados registros de seu uso a mais de 4.000 anos. As primeiras referências históricas do algodão vêm de muitos séculos antes de Cristo. Na América, vestígios encontrados no litoral norte do Peru evidenciam que povos milenares daquela região já manipulavam o algodão. Descobertas de amostras de tecidos de algodão, encontradas na região dos Incas, mostram que este povo apresentava um artesanato têxtil muito desenvolvido, com confecções de grande beleza, perfeição e com grande combinação de cores.
No Brasil, pouco se sabe sobre a pré-história do algodão, mas alguns dados mostram que, pela época do descobrimento do país, os indígenas já cultivavam o algodão e convertiam-no em fios e tecidos. Os primeiros colonos chegados ao Brasil, logo passaram a cultivar e utilizar o algodão nativo. Porém as culturas de algodão não passavam de pequenas “roças” em volta das habitações sendo que o artesanato têxtil era trabalho de mulheres (índias e escravas).
Até 1860 o cultivo do algodão, no Brasil, era da espécie arbórea. Por essa época o algodão herbáceo foi introduzido no País e pela primeira vez na história, São Paulo se destaca como produtor desta fibra. A cultura do algodoeiro anual se expandiu por todo o Estado, apesar da inexperiência dos agricultores em cultivá-lo. Alguns imigrantes norte-americanos que se estabeleceram em Santa Bárbara nesta ocasião contribuíram bastante para orientar outros lavradores. Suas culturas serviram de modelo para as demais.
A crise do café das décadas de 20 e 30 proporcionou a cultura do algodão grande expansão nos estados de São Paulo e Paraná. Nesse período, a produção de algodão em pluma, em São Paulo, elevava-se de 4.000 para 100.000 toneladas. A conquista dos mercados mundiais, em virtude das boas qualidades das fibras foi possível e a produção continuou aumentando, para chegar ao clímax em 1944, com 463.000 toneladas. A partir daí, o futuro da cotonicultura em São Paulo estava não mais na expansão da área, mas no aumento da produtividade, que elevou-se continuamente.
Porém, a partir da década de 80, a cultura passou por grandes dificuldades, em função da chegada ao país do bicudo, que causa grandes danos a cultura. Além disto, políticas públicas que estimulavam a compra de algodão importado fizeram com que a demanda interna do produto, pela indústria têxtil nacional, entrasse em franco declínio. Tais dificuldades resultaram em baixas substanciais na produção nas tradicionais regiões produtivas, a ponto de São Paulo ter sua área plantada reduzida de cerca de 700 mil hectares no início da década de 90 para menos de 40.000 hectares em 2001.
Por outro lado, como alternativa para rotação com a soja, os produtores do Centro-Oeste optaram pela cultura do algodão como uma grande oportunidade de novos negócios. A segunda metade da década de 90 significou um marco na migração da cultura do algodoeiro, das áreas tradicionalmente produtoras para o cerrado brasileiro. Hoje esta região responde por 84% da produção brasileira de algodão, tendo o estado de Mato Grosso como maior produtor brasileiro.
O sucesso da cultura do algodoeiro no cerrado tem sido impulsionado pelas condições de clima favorável, terras planas, que permitem mecanização total da lavoura, programas de incentivo à cultura e, sobretudo, o uso intensivo de tecnologias modernas. Este último aspecto tem feito com que o cerrado brasileiro detenha as mais altas produtividades na cultura do algodoeiro no Brasil e no mundo, em áreas não irrigadas.
* Dr. em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente, atua como Engenheiro Agrônomo para o Portal Agrolink.
E-mail: [email protected]
Endereço para acessar o Curriculo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3589606547408014
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