O Brasil assumiu a liderança na atração de investimentos chineses e passou a receber mais recursos para novos empreendimentos. Segundo o economista André Galhardo Fernandes, os aportes confirmados somaram US$ 6,1 bilhões em 2025, alta de 45% sobre 2024, conforme dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).
Foram 52 projetos, recorde da série, distribuídos por 20 estados. O país recebeu 10,9% do capital chinês investido no exterior, à frente dos Estados Unidos, com 6,8%. Eletricidade concentrou 29,5% do valor, seguida por mineração, com 29%, setor automotivo, com 15,8%, e petróleo, com 13,3%.
A principal mudança está na forma de entrada dos recursos. Entre 2007 e 2025, fusões e aquisições responderam por 63,2% do valor. Em 2025, projetos greenfield, voltados à construção de novas operações, concentraram 60,9% do capital e 82,7% dos empreendimentos.
A expansão das montadoras ilustra essa fase, mas exige atenção ao conteúdo local. A operação inicial da BYD utilizou kits de peças importadas para montagem final, mantendo parte relevante do valor agregado no exterior. Para o economista, a instalação de fábricas precisa avançar na formação de fornecedores e na transferência de tecnologia.
O movimento ocorre em meio ao aumento do investimento direto no país, que somou US$ 75,7 bilhões de janeiro a setembro de 2026. Em 12 meses, foram US$ 88,3 bilhões. Apenas setembro registrou US$ 11,3 bilhões, recorde para o mês na série do Banco Central.
Na avaliação de Galhardo, transformar esses aportes em ganhos de produtividade depende da política industrial. Conteúdo local e qualificação de fornecedores são decisivos para ampliar a cadeia produtiva brasileira.