Produtividade do café cresce até 50% com uso de pivô central em fazenda mineira
Além do café, a propriedade mantém uma produção diversificada

Com a intensificação das estiagens e veranicos no Sul de Minas, produtores de café enfrentam desafios cada vez maiores para manter a regularidade das safras. Na contramão das perdas, a Fazenda Santa Terezinha, em Campo do Meio (MG), se tornou referência ao adotar a irrigação por pivô central, atingindo um aumento de até 50% na produtividade nas áreas irrigadas e garantindo a qualidade dos grãos mesmo em anos críticos.
“O aumento na produtividade é uma consequência. O nosso foco principal é manter a estabilidade da produção”, afirma Mateus H. Barbosa Araújo, engenheiro agrônomo, mestre em Fitotecnia e representante da terceira geração à frente da gestão da propriedade.
A irrigação na cultura do café foi implementada em 2013, mas a relação da fazenda com a tecnologia começou bem antes. Em 1994, o primeiro pivô central foi adquirido da Asbrasil, que viria a ser incorporada pela Valley em 1997. Hoje, a Fazenda Santa Terezinha conta com oito pivôs centrais, dos quais cinco são modelos modernos da Valley. Três desses pivôs são totalmente dedicados à cafeicultura, enquanto um opera em sistema compartilhado com culturas anuais. Outros 25% da área de café são irrigados com gotejamento, garantindo precisão no manejo hídrico.
“Mesmo em anos de seca intensa, conseguimos minimizar as perdas com irrigação e manter a regularidade dos resultados. A aspersão do pivô facilita floradas homogêneas e contribui diretamente para o desenvolvimento uniforme dos frutos”, explica Mateus.
Além do café, a propriedade mantém uma produção diversificada com milho, soja, trigo, sorgo, feijão e aveia, integrando lavoura e pecuária de corte e leite em um sistema sustentável. Ainda assim, é o café que representa o maior retorno econômico da fazenda, justificando os investimentos em tecnologia e inovação.
Nos últimos cinco anos, a produtividade nas áreas irrigadas superou em quase 50% os resultados das áreas de sequeiro. A qualidade física dos grãos também melhorou significativamente, com frutos maiores e mais homogêneos. “A irrigação é o que nos permite produzir com previsibilidade, mesmo diante de adversidades climáticas extremas”, reforça.
A fazenda também investe em sistemas móveis, como canhões e carretéis, para uso emergencial em áreas mais vulneráveis. A diversidade de soluções demonstra o compromisso da gestão com a eficiência no uso da água e a sustentabilidade produtiva.
A Fazenda Santa Terezinha é marcada pela continuidade familiar. Fundada pelo bisavô de Mateus, hoje é gerida por três gerações da família. O retorno de Mateus à fazenda, após formação acadêmica na Universidade Federal de Lavras (UFLA), fortaleceu o olhar técnico da propriedade e consolidou a irrigação como ferramenta estratégica no manejo cafeeiro.
“Nosso desafio é unir tradição e inovação para garantir um futuro sustentável. A irrigação com pivô central, especialmente em parceria com a Valley, é uma peça-chave para isso”, conclui.