Crise petroquímica leva companhia a mudar estratégia
“O excedente forçou um aumento das importações de polímeros no Brasil"
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A Braskem anunciou um aumento de 220 mil toneladas na capacidade produtiva de sua unidade no Rio de Janeiro, focando no uso de etano doméstico da Petrobras em substituição à nafta, com isso, a empresa redireciona o foco para o gás na produção de polímeros. A iniciativa "switch to gas" visa maior eficiência e competitividade, com um investimento de R$ 233 milhões em estudos de engenharia e um contrato de fornecimento de etano de longo prazo.
O especialista em petroquímica da Argus, Frederico Fernandes, destacou que a estratégia da Braskem reflete um cenário global desafiador, com excesso de oferta pressionando preços e margens. Ele aponta que a dependência da empresa de medidas protecionistas, como tarifas de importação e investigações antidumping, sinaliza a dificuldade de recuperação no curto prazo.
“O excedente forçou um aumento das importações de polímeros no Brasil, o que reduziu a participação da Braskem no mercado local de cerca de 60pc para pouco mais de 40pc nos últimos dois anos. Para mitigar esse cenário, a Braskem anunciou iniciativas estratégicas como racionalização de ativos, tarifas de importação mais altas e investigações antidumping contra polietileno dos EUA e Canadá, e estuda pedir investigações contra importações de polipropileno da China”, comenta Frederico Fernandes.
A Braskem fechou 2024 com prejuízo líquido de US$ 2,2 bilhões, agravado pela perda de participação no mercado interno, que caiu de 60% para pouco mais de 40% em dois anos. As vendas de resinas permaneceram estáveis, enquanto a taxa de utilização das plantas subiu levemente para 72%.