Leguminosas podem ser alternativa para cultivos sustentáveis
Ervilhas são um desses produtos

De acordo com Joana Farinha, Técnica Agrícola e Coordenadora de Controle de Pragas e Doenças na Ahara, em Portugal, a produção de leguminosas pode representar uma solução estratégica para o setor agrícola, trazendo benefícios ambientais, econômicos e nutricionais. Com a capacidade de fixar Nitrogênio no solo, essas culturas reduzem a necessidade de fertilizantes químicos, melhoram a estrutura do solo e aumentam sua matéria orgânica. Além disso, plantas como grão-de-bico, fava e ervilha demandam menos água em comparação a cultivos tradicionais como milho e batata, tornando-se uma alternativa viável em um cenário de crescente preocupação com a escassez hídrica.
A introdução de leguminosas na rotação de culturas também pode contribuir para a quebra do ciclo de pragas e doenças, reduzindo a dependência de pesticidas e tornando a agricultura mais equilibrada. Além dos benefícios agronômicos, há um forte potencial econômico. O mercado global de proteínas vegetais está em crescimento, impulsionado pelo aumento da procura por alternativas sustentáveis e dietas vegetarianas e veganas. Portugal, no entanto, ainda importa mais de 75% das leguminosas que consome, o que evidencia um mercado interno pouco explorado e cheio de oportunidades para os produtores locais.
Entre as leguminosas com maior potencial para a produção nacional estão o grão-de-bico, que tem alta demanda e boa adaptação a climas secos, o feijão-frade, muito presente na gastronomia portuguesa e resistente a solos pobres, e o tremoço, rico em proteínas e com aplicações tanto para consumo humano quanto na alimentação animal. Além disso, lentilhas e ervilhas têm espaço no mercado gourmet e para exportação, o que poderia fortalecer a competitividade dos produtores portugueses.