Como funcionam as tarifas?
Elas podem ser usadas como ferramenta política e econômica

O chamado “tarifaço” imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump, foi pauta de notícias no dia de ontem e também no dia de hoje, mas pouco se falou sobre como essas tarifas funcionam. Segundo Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, tarifas são impostos aplicados sobre produtos importados que geram receita para o país que as impõe, reduzindo a eficiência global da produção e impactando a inflação e o crescimento econômico.
Elas podem ser usadas como ferramenta política e econômica para proteger indústrias locais da concorrência externa, garantir a capacidade produtiva nacional em tempos de conflito e reduzir dependências de bens e capitais estrangeiros. O impacto inicial das tarifas pode ser dividido em efeitos de primeira e segunda ordem.
No primeiro momento, elas aumentam os custos para produtores estrangeiros e consumidores domésticos, encarecendo produtos importados. Além disso, podem causar estagflação global — isto é, uma combinação de estagnação econômica e inflação — sendo deflacionárias para os países tarifados e inflacionárias para os importadores que as aplicam. No longo prazo, tarifas também podem diminuir a eficiência das empresas protegidas, pois reduzem a pressão competitiva.
Já os efeitos de segunda ordem dependem de como os países tarifados reagem. Caso adotem tarifas retaliatórias, a estagflação se torna mais ampla. Além disso, os bancos centrais podem ajustar juros e políticas monetárias para mitigar impactos, enfraquecendo ou fortalecendo moedas conforme a necessidade de estimular ou conter a inflação. Medidas fiscais também são acionadas para equilibrar os efeitos, flexibilizando gastos onde há fraqueza econômica e endurecendo onde há pressões inflacionárias.
Atualmente, há um intenso debate sobre o papel do dólar como moeda de reserva global e o impacto das tarifas no comércio internacional. Algumas análises sugerem que mudanças abruptas na política comercial podem desencadear desdobramentos imprevistos, incluindo negociações estratégicas como a possível valorização do renminbi chinês em um acordo entre EUA e China. Com diversas variáveis em jogo, os efeitos das tarifas continuam sendo um elemento-chave nas disputas econômicas e geopolíticas globais.