Soja: clima nos EUA e demanda chinesa moderada pressionam preços internacionais
Estoques da oleaginosa no país asiático estão elevados

Os preços internacionais da soja seguem pressionados, refletindo incertezas climáticas nos Estados Unidos e uma demanda moderada da China. Segundo informações divulgadas pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), as previsões meteorológicas indicam um padrão climático irregular no cinturão agrícola norte-americano, podendo comprometer o desenvolvimento das lavouras. A falta de chuvas em algumas regiões e o excesso de precipitação em outras tornam a produtividade uma variável de risco para o mercado.
Além das preocupações climáticas nos EUA, a demanda chinesa – principal motor de sustentação dos preços – apresenta sinais de enfraquecimento. De acordo com a CEEMA, os estoques da oleaginosa no país asiático estão elevados, reduzindo a necessidade de novas compras no curto prazo. Esse fator contribui para um cenário de menor competitividade para os exportadores, incluindo Brasil e Argentina, que enfrentam maior dificuldade em garantir contratos volumosos.
O Brasil continua liderando as exportações globais de soja, mas a concorrência com a safra argentina tem se intensificado. A recuperação da produção na Argentina, após uma quebra severa no ciclo anterior, adiciona mais oferta ao mercado e pressiona as cotações nos portos sul-americanos. Esse aumento na oferta global tende a dificultar a reação dos preços no curto prazo, conforme avalia a CEEMA.
Outro fator que influencia o mercado é a política econômica chinesa. Com um crescimento mais moderado e políticas de controle de importações, o país asiático pode reduzir ainda mais a necessidade de compra da oleaginosa, o que pode resultar em impactos prolongados nas cotações internacionais.
Os investidores também acompanham de perto as movimentações do dólar, que impactam diretamente os preços da soja nos mercados internacionais. Um dólar mais forte encarece as commodities para importadores estrangeiros, reduzindo o apetite comprador e ampliando a volatilidade nos contratos futuros da oleaginosa.
Por fim, o relatório da CEEMA salienta que, o mercado de soja deve permanecer instável nas próximas semanas, com oscilações baseadas nas condições climáticas nos EUA e nas movimentações da demanda chinesa.