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Fungo biológico combate doenças agrícolas e reduz perdas

Estudo melhora produção de Trichoderma para o campo



Foto: Pixabay

Pesquisadores brasileiros criaram um método para produção e formulação do fungo Trichoderma asperelloides, utilizado no controle biológico de doenças em plantas cultivadas. Segundo o informado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o estudo, conduzido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em parceria com a Embrapa Meio Ambiente (SP), desenvolveu um sistema baseado na aplicação de farinha de arroz como substrato para um “biorreator em grânulo”. A escolha da farinha de arroz se deve ao seu baixo custo e ampla disponibilidade no setor agroindustrial. “Nosso método não só amplia a produção de conídios, mas também aumenta a estabilidade do produto, tornando-o mais acessível e eficaz para o agricultor”, afirma Lucas Guedes, pesquisador da Unesp, que desenvolveu sua tese de doutorado sobre o tema.

O diferencial do estudo está no uso de grânulos secos contendo conídios do fungo, que atuam como “sementes” biológicas. Quando armazenados sob refrigeração, esses grânulos mantêm sua viabilidade por mais de 24 meses, garantindo estabilidade para aplicação em larga escala. Ao serem incorporados ao solo, o Trichoderma presente nos grânulos mostrou-se eficiente no combate a Sclerotinia sclerotiorum, fungo responsável pelo mofo branco, uma doença que causa prejuízos significativos em culturas como soja, feijão, algodão e tomate, informa a Embrapa.

A pesquisa avaliou cinco fatores críticos na fermentação do fungo utilizando farinha de arroz como base. Os cientistas identificaram que a adição de 0,1% de Nitrogênio ao substrato proporcionou um aumento na produção de Trichoderma, mensurada pelo número de unidades formadoras de colônias (UFCs), indicador utilizado para medir a viabilidade do fungo.

O estudo também demonstrou que fontes complexas de Nitrogênio, como levedura hidrolisada e licor de milho, foram mais eficientes na fermentação do que fontes inorgânicas tradicionais, como o sulfato de amônio. “Essa descoberta reforça a importância de explorar alternativas menos convencionais e mais sustentáveis na agricultura”, observa Guedes.

Outro aspecto analisado foi a adoção de embalagens especiais com controle de umidade e oxigênio. Os pesquisadores indicam que essas embalagens ajudam a preservar a viabilidade dos conídios mesmo em condições de armazenamento à temperatura ambiente, ampliando o potencial de aplicação do produto no campo e reduzindo perdas.

O pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa, destaca que os grânulos funcionam como pequenos biorreatores no solo. “Eles liberam o fungo de forma gradual e eficiente, otimizando o controle de patógenos sem gerar resíduos adicionais no ambiente, pois tanto na produção do fungo quanto na da formulação não ocorre a geração de resíduos.”

De acordo com informações da Embrapa, a aplicação do Trichoderma asperelloides se apresenta como uma alternativa ao uso de fungicidas químicos, que podem gerar resistência dos patógenos e impactos ambientais adversos. O novo método representa um avanço na formulação de produtos biológicos. “Esse tipo de formulação poderá ser utilizado no controle de ampla variedade de fitopatógenos do solo, como Fusarium, Rhizoctonia e Pythium, além de nematoides, caso o isolado seja específico para esse propósito”, explica Bettiol.

Atualmente, a maioria dos produtos comerciais à base de Trichoderma no Brasil utiliza um único processo de produção, baseado na fermentação de esporos em grãos de arroz. A nova abordagem propõe um modelo alternativo que reduz custos e amplia a viabilidade do controle biológico no setor agrícola. Pesquisadores destacam que a inovação pode beneficiar a agricultura brasileira, que enfrenta desafios fitossanitários constantes e demanda soluções sustentáveis. O método desenvolvido reforça o Brasil como referência em inovação agrícola e pode atender tanto ao mercado interno quanto às exportações.

O artigo é assinado por Lucas Guedes Silva (Universidade Estadual Paulista , Unesp), Renato Camargo (Universidade de São Paulo – USP), Camila Fávaro, (Universidade Federal de São Carlos – UFSCar), Peterson Nunes (Universidade Federal de Lavras - UFLA), Cristiane Farinas e Caue Ribeiro (Embrapa Instrumentação) e Gabriel Mascarin e Wagner Bettiol (Embrapa Meio Ambiente).

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