Trigo recua enquanto milho e soja mostram suporte
A demanda internacional segue como ponto de atenção
A demanda internacional segue como ponto de atenção - Foto: Canva
Os mercados agrícolas iniciam esta sexta-feira sob pressão no trigo, maior resistência no milho e suporte adicional para a soja, em um ambiente marcado por fatores geopolíticos, climáticos e cambiais. Segundo a TF Agroeconômica, a reação mais intensa ocorreu no trigo após declarações de Vladimir Putin sobre a possibilidade de um acordo de paz com a Ucrânia, o que reduziu momentaneamente a percepção de risco no Mar Negro.
Na Euronext, o trigo para dezembro de 2026 chegou a € 13,75 por tonelada antes de recuperar parte das perdas. A valorização do euro frente ao dólar também pesou sobre o cereal europeu ao reduzir a competitividade das exportações. Em Chicago, o trigo passou por realização de lucros após as altas recentes, reforçada pela sensibilidade do mercado às notícias envolvendo Rússia e Ucrânia.
A demanda internacional segue como ponto de atenção. A Arábia Saudita mantém uma licitação para a compra de 535 mil toneladas de trigo, com entrega entre novembro e dezembro, em um momento de busca por alternativas aos volumes russo e ucraniano afetados por restrições e dificuldades logísticas.
No milho, a pressão foi menor. O mercado encontra apoio nas expectativas de possível redução da produção dos Estados Unidos e no clima quente e seco no centro do país. Já a soja recebe sustentação da força do petróleo e das compras chinesas. O USDA informou nova venda de 192 mil toneladas de soja americana para a China, referente à safra 2026/27.
O câmbio também permanece no radar, com atenção às próximas reuniões do Banco Central Europeu e do Federal Reserve. Para os próximos dias, a direção dos preços dependerá do equilíbrio entre a realização de lucros e fundamentos como clima, demanda, exportações e a evolução das tensões no Mar Negro.