A safra de tabaco 2026/2027 no Rio Grande do Sul apresenta diferentes condições de desenvolvimento, com plantio próximo da conclusão em algumas regiões e colheita já iniciada em outras. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar no Informativo Conjuntural de quinta-feira (29), o excesso de chuva, as noites frias e a baixa incidência de sol preocupam produtores e podem elevar as perdas de produtividade em áreas de Cerro Branco para até 15%.
Na região de Pelotas, o transplantio está perto do fim, enquanto em Soledade o plantio foi concluído e algumas propriedades já colhem as folhas. Em Santa Rosa, as lavouras apresentam desenvolvimento vegetativo satisfatório, mas a umidade elevada exige atenção ao manejo e ao monitoramento de doenças.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Pelotas, aproximadamente 82% das lavouras de tabaco da safra 2026/2027 já foram implantadas. A boa umidade do solo favorece as operações, embora a sequência de noites frias registradas em outubro esteja retardando o desenvolvimento das plantas transplantadas.
Os produtores continuam manejando os canteiros no Sistema Floating. Nas áreas com plantas de cobertura de inverno, também foram aplicados dessecantes para formar palhada e proteger os camalhões que receberão as mudas.
Entre os principais municípios produtores do Brasil, Canguçu tem aproximadamente 11 mil hectares cultivados com tabaco, enquanto São Lourenço do Sul registra cerca de 9 mil hectares, segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar.
Na região de Santa Rosa, que abrange a Fronteira Noroeste e as Missões, as lavouras apresentam desenvolvimento vegetativo satisfatório. As variedades do grupo Burley se destacam pelo vigor e pela coloração adequada.
Nas áreas implantadas mais cedo, o crescimento está mais avançado e os produtores já realizam o desponte. Também seguem os trabalhos de adubação nitrogenada em cobertura e controle de plantas daninhas.
No entanto, os elevados volumes de chuva, a alta umidade relativa do ar, os dias nublados e as temperaturas mais baixas reduziram a incidência de radiação solar. As condições mantiveram a umidade do solo adequada, mas limitaram parcialmente o crescimento das plantas e algumas operações de manejo. A elevada umidade também exige atenção ao monitoramento de doenças nas lavouras, conforme o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar.
Na região de Soledade, no Baixo Vale do Rio Pardo, o plantio foi concluído. Diversas propriedades já iniciaram a colheita, e as folhas apresentam boa qualidade, apesar do frio e do excesso de chuvas registrados durante o ciclo.
Os produtores continuam realizando o desbrote químico e os demais manejos necessários. Nas regiões de maior altitude, o plantio também foi finalizado, e as atividades se concentram na adubação nitrogenada em cobertura e no controle de plantas daninhas. Algumas áreas se preparam para iniciar a colheita. A área cultivada com tabaco nos municípios da região está estimada em 72.407 hectares, segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar.
Na região administrativa de Santa Maria, o município de Cerro Branco está na fase final de implantação da nova safra. Algumas lavouras localizadas na parte baixa já começaram a ser colhidas.
Os produtores, porém, demonstram preocupação com o excesso de chuvas e a baixa frequência de dias ensolarados, fatores que têm comprometido a produtividade e a qualidade das folhas.
Em diversas lavouras, foram observados sintomas de deficiência nutricional, principalmente de nitrogênio. Segundo o levantamento da Emater/RS-Ascar, o problema está associado à lixiviação provocada por enxurradas e à baixa luminosidade.
As perdas, inicialmente estimadas no começo do mês em 10% da produtividade esperada, podem chegar a 15% caso o estresse climático continue. O cenário reforça a preocupação com os efeitos das condições meteorológicas sobre o rendimento e a qualidade do tabaco na região.