Projeção de La Niña é adiada e traz incertezas no campo
Previsão cai de 86% para 62%. Neutralidade pode durar mais do que o esperado
As projeções das condições oceânicas têm mostrado variações nos últimos meses, especialmente no que se refere à probabilidade do estabelecimento de um evento La Niña. Em abril, as previsões indicavam uma alta probabilidade de ocorrência de La Niña ainda durante o inverno de 2024, mas as atualizações mais recentes reduziram e adiaram essas chances.
Na projeção divulgada no início de abril de 2024 pelo Instituto Internacional de Pesquisa para o Clima e Sociedade, da Universidade de Columbia nos EUA (IRI/Columbia), as condições para La Niña eram iminentes nos meses de inverno, com 60% de chances para o estabelecimento da La Niña entre junho e agosto.
No entanto, os dados divulgados no final de maio de 2024 mostram que as condições para La Niña foram adiadas. As novas projeções indicam valores entre agosto e outubro, com 49% de chances, subindo para 55% entre setembro e novembro e 61% entre outubro e dezembro.
Diante deste novo cenário, as probabilidades para La Ninã caem de 86%, previstos em abril, para no máximo 63% previstos no final de maio.
O Bureau de Meteorologia da Austrália indica que as condições atuais são de Neutralidade, alinhado com o indicado pelo IRI. No entanto, o centro australiano avalia a entrada da La Niña, devido a alguns sinais iniciais de que um evento pode se formar no Oceano Pacífico no final de 2024.
Ainda assim, as condições atuais não garantem que um La Niña se desenvolverá, e há probabilidades iguais de condições para Neutralidade no mesmo período da perspectiva.
Incertezas no planejamento agrícola
As mudanças nas probabilidades de ocorrência de La Niña podem influenciar diretamente o planejamento e as expectativas dos agricultores. Em abril, havia uma expectativa alta para La Niña, o que poderia indicar condições mais secas em algumas regiões do Brasil, particularmente no Nordeste, onde a seca é uma preocupação constante.
Alguns produtores podem ter antecipado a necessidade de estratégias de mitigação, como o uso de culturas mais tolerantes à seca ou o aumento da capacidade de irrigação para garantir a produtividade. A expectativa de La Niña também poderia ter impactado decisões sobre o calendário de plantio e a seleção de variedades de culturas mais resistentes às condições secas.
No entanto, as previsões de maio mostram uma redução significativa nas chances de La Niña e um aumento nas probabilidades de condições neutras. Embora essa mudança sugira uma menor variabilidade climática em comparação com La Niña, as condições neutras são frequentemente mais voláteis e menos previsíveis.
Essa volatilidade pode resultar em variações climáticas inesperadas que afetam o desenvolvimento das culturas. Para os agricultores, isso significa que, apesar de uma menor necessidade de medidas extremas de mitigação contra a seca, a monitorização contínua do clima e a flexibilidade no planejamento continuam essenciais para adaptar-se rapidamente a qualquer mudança inesperada nas condições meteorológicas.