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O erro na adubação que pode custar produtividade

Essas relações, porém, não funcionam como uma sequência fixa


Essas relações, porém, não funcionam como uma sequência fixa Essas relações, porém, não funcionam como uma sequência fixa - Foto: Canva

Na adubação das lavouras, aumentar a quantidade de nutrientes disponíveis nem sempre significa melhorar a nutrição das plantas, já que os diferentes elementos interagem entre si e podem favorecer ou dificultar a absorção. Segundo o engenheiro agrônomo Guilherme Ceccherini, compreender essas relações é fundamental para buscar equilíbrio no manejo da fertilidade do solo.

Entre as interações mais importantes estão as envolvendo nitrogênio, potássio, cálcio e magnésio. O nitrogênio está diretamente ligado ao crescimento vegetativo e à formação de proteínas, enquanto o potássio participa da ativação de enzimas, do transporte de fotoassimilados e da regulação dos estômatos. Com maior oferta de nitrogênio, por exemplo, a planta pode aumentar sua demanda por potássio.

O problema ocorre quando determinados nutrientes aparecem em concentrações excessivas. Níveis elevados de potássio podem reduzir a absorção de cálcio devido à competição entre esses cátions. O mesmo pode acontecer entre cálcio e magnésio, principalmente quando um deles está presente em quantidade muito superior ao outro.

Outra relação conhecida é entre potássio e magnésio. O excesso de K pode diminuir a absorção de Mg e provocar uma deficiência induzida, mesmo quando há magnésio presente no solo. Também existem interações importantes entre fósforo e zinco, nitrogênio e fósforo, cálcio e boro, ferro e manganês, além de molibdênio e enxofre.

Essas relações, porém, não funcionam como uma sequência fixa. A intensidade das interações depende de fatores como concentração dos nutrientes, pH, textura e matéria orgânica do solo, umidade, espécie cultivada, estádio de desenvolvimento e condições ambientais.

Por isso, uma estratégia de fertilização baseada apenas no aumento das doses pode gerar desequilíbrios e até limitar o potencial produtivo. O manejo mais eficiente deve considerar análises de solo e foliares, além do diagnóstico visual das plantas, para identificar limitações e ajustar a disponibilidade dos nutrientes de acordo com a necessidade da cultura.

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