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Monitoramento de falhas orienta decisões no manejo da cana-de-açúcar

Replantar ou manter? Avaliação do estande orienta decisão no canavial


Foto: Pixabay

A formação de um estande uniforme durante o crescimento vegetativo é uma das etapas que influenciam o potencial produtivo da cana-de-açúcar. Falhas na linha, baixa população de plantas e problemas de perfilhamento podem reduzir o número de colmos por hectare, favorecer plantas daninhas e comprometer o aproveitamento da luz pelo canavial.

O crescimento vegetativo corresponde ao período em que a planta concentra seus recursos no desenvolvimento da parte aérea e das raízes, com emissão de folhas, formação de colmos e perfilhamento. É nessa fase que o canavial estabelece a estrutura que servirá de base para a produção da cana-planta e das soqueiras seguintes.

O processo começa com a brotação. Após o plantio, ou depois do corte no caso das soqueiras, as gemas formam as primeiras plantas e a densidade inicial do estande começa a ser definida. Em seguida ocorre o perfilhamento ativo. Nessa fase, cada touceira pode emitir vários perfilhos, ampliando o número de colmos por metro de linha. Pequenas falhas podem ser parcialmente compensadas pelas plantas próximas, dependendo das condições do ambiente e da capacidade de perfilhamento da cultivar.

Posteriormente, alguns perfilhos mais fracos são eliminados naturalmente e os restantes entram no processo de alongamento. É nesse período que a densidade final de colmos industriais por hectare começa a se consolidar.

O problema ocorre quando as falhas são grandes ou contínuas. Nesses casos, mesmo boas condições de fertilidade e disponibilidade de água podem não ser suficientes para permitir a compensação pela própria lavoura.

Entre as possíveis causas estão falhas na qualidade do plantio, profundidade irregular, distribuição inadequada de mudas e compactação do sulco. Mudas com baixo vigor ou problemas sanitários, falta ou excesso de água logo depois do plantio, pragas de solo, doenças iniciais e problemas no controle de plantas daninhas também podem prejudicar o estabelecimento.

Por isso, medir o estande é uma das ferramentas indicadas para acompanhar o desenvolvimento da área. A avaliação pode ser realizada depois do pegamento da cana-planta, durante o pico de perfilhamento e, no caso das soqueiras, após o início da rebrota.

Para calcular as falhas, devem ser selecionados pontos representativos do talhão, evitando as bordaduras. Podem ser avaliados segmentos de 10, 20 ou 50 metros, por exemplo, de acordo com o método adotado pela propriedade. Dentro desses trechos, mede-se o comprimento das áreas contínuas sem plantas. A porcentagem é obtida comparando o total de metros com falhas ao comprimento total de linha avaliado. O material recomenda utilizar uma metodologia padronizada para que os resultados possam ser comparados entre diferentes talhões, anos e épocas de plantio.

Apesar da importância dessa medição, não existe no conteúdo analisado um percentual único definido como aceitável para todas as lavouras. A interpretação depende da época de plantio ou rebrota, fertilidade, disponibilidade de água, cultivar e idade do canavial.

Com poucas falhas e bom perfilhamento, o canavial pode apresentar capacidade de compensação. Quando os problemas estão concentrados em pequenas manchas, pode ser avaliada uma intervenção localizada.

A situação muda quando existem falhas extensas e contínuas. Nesses casos, o potencial produtivo pode ser afetado de maneira mais significativa e passa a ser necessário analisar alternativas de recuperação ou até uma possível reforma antecipada. As consequências não estão restritas ao número de plantas. Áreas descobertas favorecem a presença de plantas daninhas, que encontram mais espaço para se desenvolver. O menor fechamento das entrelinhas também diminui o aproveitamento da luz pelas plantas.

O estande desuniforme pode ainda provocar diferenças no desenvolvimento e na maturação da lavoura, dificultando o planejamento da colheita. Problemas estabelecidos desde a cana-planta também podem continuar nos cortes posteriores, contribuindo para o enfraquecimento e a menor produtividade das soqueiras. Por isso, a decisão de replantar não deve ser tomada apenas com base na porcentagem de falhas. A idade da lavoura, o ambiente de produção, a cultivar e a capacidade de perfilhamento precisam entrar na avaliação.

O aspecto econômico também faz parte da decisão. O custo do replantio ou do reforço deve ser comparado com o ganho de produtividade que pode ser obtido com a intervenção. O material não apresenta valores ou índices econômicos específicos para essa análise. Outros componentes do manejo também influenciam o resultado. Solos férteis e bem corrigidos favorecem o perfilhamento e o fechamento das entrelinhas. Quando existe irrigação, a disponibilidade adequada de água nas fases de brotação e perfilhamento contribui para a formação de um estande uniforme.

Controle de plantas daninhas, pragas e doenças também precisa acompanhar o desenvolvimento do canavial. O material cita insetos de solo, cupins, nematoides e doenças associadas às mudas entre os fatores que podem aumentar as falhas. A prevenção começa ainda na implantação da lavoura. Regulagem adequada das máquinas, profundidade correta do sulco, utilização de mudas sadias e manejo adequado das soqueiras ajudam a reduzir problemas desde a origem.

O acompanhamento das falhas por talhão também permite formar um histórico da propriedade. Esses registros podem apoiar decisões futuras sobre recuperação e reforma do canavial. Qualquer intervenção deve ser realizada com acompanhamento técnico e respeito às normas de segurança. O material destaca o uso de EPIs pelos trabalhadores, o cumprimento da legislação relacionada aos produtos e às operações realizadas e a observância das informações de rótulos e bulas. Para defensivos agrícolas, também deve ser respeitada a exigência de receituário agronômico.

Na prática, o acompanhamento do estande permite identificar problemas antes que se consolidem ao longo do ciclo. Mais do que procurar um único percentual de falhas, a orientação apresentada no material é avaliar a distribuição dessas falhas, o perfilhamento, as condições do ambiente, a idade da lavoura e a viabilidade econômica de uma eventual intervenção.

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