Já passou da hora de os insetos virarem fonte de proteína
África é um dos pioneiros
Saliou Niassy, cientista do Centro Internacional de Fisiologia e Ecologia de Insetos (Icipe) de Nairóbi, disse que os insetos comestíveis contêm proteínas de alta qualidade, vitaminas, fibras, cálcio, ferro, vitaminas do complexo B, selênio, zinco e aminoácidos, além de serem uma excelente fonte de gorduras saudáveis.
O óleo de inseto produzido através de um projeto de pesquisa Icipe a partir de dois insetos comestíveis, o gafanhoto do deserto e o grilo africano, foi mais rico em ácidos graxos ômega-3, flavonóides e vitamina E do que o óleo vegetal.
Segundo Niassy, “os insetos comestíveis são uma alternativa viável e acessível”, já que esta nação da África Oriental de 48 milhões de habitantes enfrenta ameaças crescentes à segurança alimentar, incluindo mudanças climáticas, degradação da paisagem e invasão de pragas. A conta anual de importação de alimentos da África, que era de US$ 35 bilhões em 2021, pode subir para US$ 110 bilhões até 2025, segundo órgãos regionais.
Um estudo realizado pela Icipe mostra que existem cerca de 500 espécies de insetos comestíveis nas comunidades africanas. A região da África Central abriga cerca de 256 espécies de insetos comestíveis, a África Oriental cerca de 100 espécies e o norte da África cerca de oito espécies. No caso do Quênia, cerca de 17 espécies primárias são usadas para rações e alimentos.
“No que diz respeito ao aumento do consumo de insetos, tivemos dois desafios principais: a falta de legislação em torno da produção, embalagem e comercialização de insetos para alimentação e as fortes percepções que ditam o que é culturalmente aceitável como alimento”, explica Beatrice Karare, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Pescas.