A indústria de Goiás deve encontrar no mercado europeu um novo caminho para ampliar a participação no comércio internacional. Com a redução gradual das tarifas comerciais entre Mercosul e União Europeia, produtos ligados ao agronegócio, como carnes, açúcar, etanol e couro, ganham perspectivas de maior competitividade no exterior.
As estimativas fazem parte de um levantamento apresentado durante a Expoind 2026, realizada entre 27 e 29 de outubro, em Goiânia.
potencial econômico da mudança foi levantado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), que projeta um incremento anual de US$ 208 milhões nas exportações estaduais. A expansão das atividades produtivas também poderá contribuir para a geração de aproximadamente 23 mil empregos, considerando os efeitos da abertura comercial sobre diferentes setores da economia.
O avanço das negociações comerciais cria novas possibilidades para empresas goianas que buscam diversificar seus destinos de exportação. A perspectiva é de que a redução dos custos tarifários favoreça a entrada de produtos regionais em mercados com elevado poder de consumo. A produção de proteína animal aparece entre as atividades com potencial de crescimento. No segmento de aves inteiras congeladas, por exemplo, as estimativas indicam a possibilidade de US$ 8,85 milhões em novas vendas anuais ao mercado europeu após quatro anos de redução das tarifas.
Atualmente, Goiás não registra exportações desse produto para a União Europeia, apesar da demanda existente em países como Alemanha, Espanha e França.
Oportunidades também são identificadas nas cadeias de carne bovina, açúcar, etanol e couro, segmentos que possuem participação relevante na estrutura agroindustrial do estado.
O estudo da Fieg examinou 40 produtos de 12 subsetores industriais para avaliar onde a abertura comercial poderá produzir os maiores efeitos.
A redução das tarifas, isoladamente, não garante crescimento das exportações. Para conquistar compradores europeus, as empresas precisarão atender a padrões de qualidade, exigências sanitárias e critérios ambientais estabelecidos pelos países de destino. A adequação dos processos produtivos será especialmente importante para os segmentos agroindustriais, que enfrentam controles específicos relacionados à segurança dos alimentos e à conformidade das mercadorias.
Outro fator determinante será a capacidade de manter fornecimento regular e preços competitivos diante de produtores de outras regiões.
O analista de desenvolvimento industrial da Fieg, Saulo Nogueira, responsável pelo levantamento, considera que o acordo apresenta perspectivas favoráveis para Goiás, principalmente pela possibilidade de ampliar a presença das empresas em um mercado consumidor de alta renda.
Oportunidade no mercado europeu
Em vigor desde 1º de maio de 2026, o Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia prevê a retirada escalonada de tarifas, respeitando prazos específicos para diferentes produtos. Isso significa que os efeitos econômicos serão distribuídos ao longo dos próximos anos, e não concentrados no início da implementação.
O levantamento da Fieg também considera questões relacionadas a regras de origem, sustentabilidade, investimentos e mecanismos de proteção comercial, fatores que poderão influenciar as condições de acesso ao mercado europeu..