Estoque parado amplia custo financeiro
A análise, portanto, precisa ir além do valor registrado
A análise, portanto, precisa ir além do valor registrado - Foto: Canva
A gestão de estoques ganhou peso financeiro em um cenário de juros elevados e margens mais apertadas no agronegócio. Segundo Felipe Treitinger, CEO e fundador da Cumbre, muitas empresas ainda não incorporam ao planejamento o custo do capital mantido em mercadorias paradas.
No setor, é comum preservar volumes capazes de garantir pronta entrega e evitar a perda de vendas por falta de produto. Essa estratégia pode ser necessária, já que a indisponibilidade em momentos decisivos pode gerar prejuízos superiores ao custo de carregar alguns dias de estoque. O risco surge quando a reserva deixa de atender a uma necessidade comercial e passa a permanecer de forma contínua no balanço.
Uma empresa com R$ 10 milhões imobilizados em estoque, por exemplo, mantém recursos que poderiam reforçar o caixa, reduzir dívidas ou financiar novas oportunidades. Em períodos de juros altos, essa escolha amplia o custo financeiro da operação, mesmo quando o estoque aparece apenas como um ativo contábil.
A análise, portanto, precisa ir além do valor registrado. Também deve considerar por quanto tempo os produtos permanecem armazenados e quanto custa sustentar esse capital por meses, ou até de uma safra para outra. Nesse contexto, a gestão de estoque deixa de ser apenas uma decisão operacional e passa a influenciar diretamente a eficiência financeira.
O desafio não é eliminar estoques, mas separar o volume que sustenta vendas daquele que apenas consome caixa. Empresas capazes de equilibrar disponibilidade de produtos e disciplina financeira tendem a construir uma vantagem competitiva relevante, porque mercadoria parada também representa capital imobilizado, e esse capital tem custo.