Diferença de preço entre orgânico e convencionais tende a baixar
Um dos maiores limitadores do crescimento das vendas de produtos orgânicos é o preço elevado
Um dos maiores limitadores do crescimento das vendas de produtos orgânicos é o preço elevado desses alimentos – em média 50% mais caros do que os convencionais. No caso da alface, essa diferença pode chegar a 100% de R$ 0,50 da vendida em um sacolão na Zona Sul de Belo Horizonte (MG) para R$ 1,00 numa feira de orgânicos na mesma região. Produtores rurais e especialistas prevêem mudanças neste quadro. A melhora das condições do solo, decorrentes das práticas sustentáveis de cultivo adotadas pela agricultura orgânica, já está tornando possível a redução de custos e o aumento da produção, o que pode interferir diretamente nos preços ao consumidor.
"A tendência é reduzir a diferença de preço para os convencionais, pois estamos conseguindo produzir mais com custo menor. Já produzimos inclusive sementes na propriedade e até o manejo está bem mais fácil. Os empregados comentam que eles agora têm menos trabalho, de tão bom que está ficando o solo, com as técnicas de cultura orgânica", confirma Márcia Cambraia Godoy Castro, produtora rural de Brumadinho, a 55 quilômetros de Belo Horizonte.
Márcia começou sua produção de orgânicos há cerca de dez anos, com o apoio da Emater/MG local. "Na época havia ainda pouca informação sobre o assunto e o curso que fiz com o extensionista da Emater/MG foi muito esclarecedor. Foi um incentivo a mais para que eu investisse nos orgânicos", conta. De uma área de três hectares, ela tira semanalmente cerca de 50 quilos de cenoura, 20 de beterraba, 20 de mandioca, 250 pés de alface, 80 de rúcula e 100 maços de couve, entre outros legumes e hortaliças diversos, certificados pela ABIO, do Rio de Janeiro. Todos os produtos são vendidos em sua loja em Belo Horizonte, onde também oferece produtos orgânicos de outros fornecedores.
Outro que aderiu ao plantio dos orgânicos e está satisfeito com os resultados é Roberto Neri Pereira Filho, que cultiva, há dois anos, uma grande variedade de hortaliças e legumes orgânicos em uma área de dois hectares em Pedro Leopoldo. Ele recebe assistência constante dos técnicos da Emater/MG, com quem decide que tipo de manejo é mais adequado para sua propriedade. "Com a rotação de culturas e outras técnicas de conservação do solo, já estou economizando no uso do composto orgânico usado como adubo e ainda aprendendo a melhorar a produção de alimentos orgânicos", conta Roberto, que é certificado pelo Minas Orgânica.
Para o coordenador técnico da Emater, Leonardo Moreira, há a necessidade de um acompanhamento mais constante do extensionista. "Não há um pacote pronto, com receitas que servem para todos. É preciso avaliar a situação de cada produtor. As técnicas a serem adotadas dependem das condições do solo da propriedade, do clima, da fauna e da flora nativas".
Oferta reduzida:
Mais do que o custo de produção, a tradicional lei da oferta e da demanda é outro fator que põe os preços dos orgânicos nas alturas. A produção deste tipo de alimento no Brasil ainda é muito pequena - menos de 1% da produção convencional nacional, segundo dados do Ministério da Agricultura. De acordo com a Comissão da Produção Orgânica de Minas Gerais, o Estado tem 263 produtores orgânicos certificados, que cultivam uma área de 14.286 hectares. Os produtos são variados, com destaque para café, hortigranjeiros, frutas e mel.
Entretanto, esse panorama parece estar mudando, pois levantamentos recentes constatam que a produção de alimentos orgânicos vem crescendo cerca de 50% ao ano, no País, o dobro da média mundial, de 25%. No que depender da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), essa expansão irá continuar em ritmo acelerado. Todos os seus técnicos em atuação no campo - 1.053 atualmente - são capacitados para atuar segundo as normas da agroecologia. No entanto, a produção agrícola no Estado, ainda prevalece a agricultura convencional, com uso de produtos químicos.
"A agroecologia é um processo de transição do modelo convencional para a produção sustentável. Não pode ser uma mudança brusca, pois temos de pensar na sustentabilidade do produtor rural", ressalta Leonardo Moreira, Ele explica que a mudança do sistema convencional, com uso de agrotóxicos e adubos químicos, para o sistema orgânico, com práticas naturais de controle, não pode ser feita de maneira radical, pois deixaria a produção vulnerável a pragas e doenças e reduziria a produtividade de forma brusca, fatores que inviabilizariam a atividade agrícola. As informações são da assessoria de imprensa da Emater/MG.