Corredor do Norte avança no embarque de soja e milho
O Porto do Itaqui ilustra esse avanço
O Porto do Itaqui ilustra esse avanço - Foto: Canva
A logística de exportação de grãos no Brasil passa por uma mudança relevante, com avanço das rotas do Norte sobre corredores tradicionais. Segundo Leonardo Brunelli, fundador e diretor da Samba Brasil, os portos do Arco Norte saltaram de 36,56 milhões para 58,06 milhões de toneladas de soja e milho exportadas entre 2021 e 2025, crescimento de quase 59%.
O milho é o principal retrato dessa transformação. Em 2025, 48% de todo o cereal exportado pelo país saiu pelos portos do Arco Norte. Na soja, a participação chegou a 36,2%. Considerados em conjunto, os dois produtos deram ao corredor 39,5% dos embarques, acima de Santos, com 33%, Paranaguá, com 11,2%, São Francisco do Sul, com 6,2%, e Rio Grande, com 6,1%.
A reorganização está ligada à integração entre rodovias, ferrovias e terminais portuários. A Conab aponta que a proximidade com áreas produtoras do Centro-Oeste e do MATOPIBA, somada à redução dos fretes, tem aumentado a competitividade das rotas para o Norte.
O Porto do Itaqui ilustra esse avanço. A movimentação de grãos passou de 11,55 milhões de toneladas em 2021 para 20,14 milhões em 2025, alta de 74%. A Ferrovia Norte-Sul e os investimentos nos terminais do Tegram ampliaram a capacidade do corredor. Mais a oeste, Itacoatiara, Santarém e Barcarena também ganham espaço com o uso das hidrovias Madeira, Tapajós-Teles Pires e Solimões-Amazonas.
Apesar do crescimento, permanecem gargalos. A Conab alerta que períodos de seca na Amazônia podem comprometer a navegabilidade e afetar operações nos rios Madeira, Tapajós e Amazonas. Em 2026, até junho, o Arco Norte respondeu por 39,1% das exportações de soja e 35,4% das de milho, mantendo seu peso na reorganização do mapa logístico brasileiro.