Antracnose: veja os primeiros sintomas no feijão
Antracnose: veja os primeiros sintomas no feijão
Foto: Ibrafe
A antracnose do feijão, causada pelo fungo Colletotrichum lindemuthianum, exige atenção durante o desenvolvimento das lavouras, especialmente entre agosto e novembro, quando condições de umidade podem favorecer a doença. O reconhecimento precoce dos sintomas ajuda o produtor a ajustar o manejo fitossanitário, reduzir a disseminação do patógeno e minimizar perdas de produtividade.
Sintomas da antracnose começam em diferentes partes da planta
A doença é considerada de alta importância econômica para o feijoeiro e pode provocar desfolha, queda de flores, má formação de vagens e grãos manchados. O patógeno se dissemina principalmente por sementes infectadas e por respingos de chuva.
Segundo dados apresentados no material técnico, o fungo também pode sobreviver em restos culturais infectados e, em menor grau, no solo. A água da chuva, a irrigação por aspersão e o contato entre plantas favorecem a disseminação dos esporos.
O ciclo começa com a presença de sementes ou restos culturais contaminados. Na presença de água livre e temperaturas amenas a moderadas, os esporos germinam e o fungo penetra nos tecidos, principalmente em estruturas jovens. Após a colonização, o patógeno provoca necrose e colapso celular. As lesões formadas podem produzir novos esporos, permitindo que o ciclo da doença se repita ao longo da lavoura.
Cotilédones e hastes exigem atenção no início do ciclo
Nas plântulas recém-emergidas, os primeiros sinais podem aparecer nos cotilédones. Pequenas manchas marrom-escuras a quase negras, de bordas bem definidas e aspecto inicialmente encharcado podem evoluir para lesões levemente deprimidas. Quando a infecção é severa, o problema pode atingir o hipocótilo e provocar a morte da plântula. Por isso, a observação das plantas logo após a emergência é importante, principalmente quando são utilizadas sementes infectadas.
Nas hastes e ramos, um dos sinais característicos são lesões alongadas, estreitas e de coloração marrom-escura a preta. Elas costumam acompanhar o comprimento da haste e apresentar superfície ligeiramente deprimida. Com o avanço da doença, lesões inicialmente isoladas podem se unir e formar faixas escuras extensas. Quando próximas ao colo, podem enfraquecer o tecido e interferir no transporte de água e nutrientes.
Folhas, pecíolos e nervuras ajudam no diagnóstico
Na avaliação das folhas, o produtor não deve observar apenas a lâmina foliar. Pecíolos e nervuras principais também precisam ser vistoriados, pois podem apresentar sinais importantes da doença.
Pontuações ou estrias escuras podem aparecer nos pecíolos, enquanto lesões estreitas e escuras podem acompanhar as nervuras principais. Em estádios iniciais, esses sinais podem se assemelhar a pequenas manchas de ferrugem escura.
Nas folhas, pequenas manchas marrons-escuras, arredondadas ou angulares, podem surgir principalmente ao longo das nervuras. Com a evolução, as lesões aumentam e podem apresentar centro mais claro e bordas escuras. Esse padrão ajuda na diferenciação em relação a outras doenças foliares. Na antracnose, a associação das lesões com nervuras e pecíolos é mais marcante.
Vagens jovens são ponto-chave para reconhecer a doença
As vagens estão entre os principais órgãos afetados e são importantes para o diagnóstico durante o florescimento e o enchimento de grãos.
Os primeiros sinais incluem pequenas lesões circulares ou elípticas, escuras, bem delimitadas e deprimidas. Em condições úmidas, podem surgir massas de esporos nas lesões, perceptíveis como pontos mais escuros ou discretamente rosados sob lente de aumento. O ataque às vagens compromete diretamente o enchimento e a qualidade dos grãos. Em casos severos, as estruturas podem secar prematuramente e deixar de produzir grãos comercializáveis.
Clima entre agosto e novembro aumenta a necessidade de monitoramento
Entre agosto e novembro, diferentes condições podem favorecer a manifestação da antracnose do feijão. Em áreas irrigadas, por exemplo, a aspersão, associada a temperaturas amenas ou moderadas e noites com orvalho, pode manter as folhas molhadas por mais tempo. Em regiões onde as chuvas aumentam durante a primavera, a combinação de elevada umidade e tecidos jovens também favorece o desenvolvimento do fungo.
O risco merece atenção durante o crescimento vegetativo intenso, o florescimento e o enchimento de vagens. Nesses estádios, perdas de área foliar e danos às vagens podem ter impacto maior sobre a produtividade. Por isso, o monitoramento deve incluir caminhamento entre as linhas e avaliação de cotilédones, hastes, pecíolos, nervuras e, principalmente, vagens jovens.
Doença pode comprometer produtividade e qualidade das sementes
Os impactos da antracnose vão além das manchas observadas nas plantas. Lesões em pecíolos e nervuras podem provocar desfolha e reduzir a capacidade fotossintética, prejudicando o enchimento dos grãos. Lesões em hastes e hipocótilos também podem enfraquecer as plantas, favorecendo quebramento de ramos, morte de plantas e falhas de estande.
Nas vagens, o ataque pode provocar aborto, secamento precoce ou formação de grãos pequenos, deformados ou manchados. O problema também pode afetar a qualidade das sementes.
Sementes provenientes de plantas infectadas tendem a apresentar menor germinação e vigor e podem carregar o patógeno para a safra seguinte quando utilizadas como material de plantio.
Reconhecimento precoce deve fazer parte do manejo
A identificação dos sintomas é apenas a primeira etapa do manejo fitossanitário. A inspeção deve ser realizada regularmente e com maior frequência quando houver condições favoráveis à doença.
A amostragem deve contemplar diferentes pontos do talhão, incluindo bordaduras, centro da área e locais com histórico de problemas. Também é importante avaliar plantas em diferentes estádios de desenvolvimento. O produtor deve registrar as datas, os estádios da cultura e as partes da planta onde os primeiros sintomas foram identificados. Essas informações ajudam no planejamento de safras futuras.
Quando houver dúvida em relação ao diagnóstico, o material recomenda consultar um engenheiro agrônomo ou encaminhar amostras para análise laboratorial. A partir da confirmação, o técnico responsável poderá definir a necessidade de intervenção química, o reforço de estratégias culturais e os ajustes necessários no manejo integrado de doenças.