Fiorentino Cassol, uma vida dedicada ao campo
Matéria especial em homenagem ao Dia do Colono
Veja abaixo a matéria especial publicada em 25 de julho de 2010.
Portal Agrolink lembra o Dia do Colono destacando a trajetória de uma família italiana da região noroeste do RS
por Marianna Rebelatto

A viagem de 200 km foi feita em um caminhão. Para começar a vida, a família trazia um armário, uma cama e uma mesa de madeira. Com os Cr$ 40.000 emprestados por Ernesto Cassol, o irmão que trabalhava em um banco, compraram 48 hectares de terra, onde começaram a cultivar trigo, milho, cana-de-açúcar, mandioca e outras variedades para subsistência.

Vista aérea da propriedade
A família cresceu, vieram mais sete filhos. Todos ajudavam na roça. As melodias italianas cantadas por Fiorentino acompanhavam as longas jornadas de trabalho e são uma das lembranças mais fortes que os filhos guardam daquele tempo difícil.
Em 1962, a família aumentou a propriedade e passou a se dedicar ao cultivo do fumo de estufa, vendido para indústrias de Venâncio Aires e Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul. As folhas ficavam de três a quatro dias secando e era preciso que, a cada 2 horas, alguém monitorasse o fogo. Esse trabalho não podia ser interrompido à noite, o que custou muitas horas de sono dos colonos. “Bota judiaria”, comenta Fiorentino.
O inverno de 1965 foi marcado por uma grande nevasca na região. Com medo de perder as mudas de fumo, a família Cassol removeu a neve que se acumulou em cima da estufa. O esforço valeu a pena e aquele ano rendeu 365 arrobas. “Foi o ano que mais lucramos com a cultura, pois quase ninguém tinha mudas”, conta Renato, um dos filhos de Fiorentino.
O período do final dos anos 60 ao início dos anos 70 foi marcado por grandes mudanças no campo. Foi nessa fase que surgiu a Operação Tatu, uma iniciativa da Emater/RS, que consistia em programas de orientação para recuperação do solo através da correção da acidez e da adubação. A eletricidade chegou em 1969, mesmo ano em que inundaram boa parte da região para a construção da Barragem do Passo Real. A mecanização na propriedade começou em 1972, quando foi comprado o primeiro trator. Essas melhorias tornaram possível a expansão da lavoura e a introdução da cultura da soja. Nos anos 80, três vacas vindas do Uruguai deram início à atividade da pecuária leiteira. O plantio direto é realizado desde 1995, e a soja transgênica é plantada desde 2005.

atividade da pecuária leiteira na propriedade
Atualmente, três pessoas cuidam da propriedade. Flávio, filho mais novo de Fiorentino, a mulher dele, Inês, e um funcionário. A criação de porcos, o cultivo de soja e a produção de leite são as fontes de renda da propriedade. Todos os produtos já têm destino certo. Os 550 litros de leite produzidos diariamente pelas 24 vacas vão para a Cooperativa Santa Clara. Os 500 suínos são criados em parceria com a empresa Alibem, que fornece os insumos. As 1.800 sacas de soja anuais são destinadas para a Cotribá (Cooperativa Agrícola Mista General Osório), sediada na cidade vizinha de Ibirubá.
Fiorentino Cassol é associado à Cotribá desde 1961, e orgulha-se de ser um dos cooperados mais antigos. “Tem gente que desvia uma parte da produção; eu nunca desviei. Em todos esses anos, sempre entreguei todo o produto”, garante. Para ele, a presença da cooperativa na região trouxe muitos benefícios para os colonos, garantindo assistência técnica, armazenagem e insumos aos produtores.
“Nunca tirei a vocação dos meus filhos”, conta Fiorentino. Os oito filhos estudaram, formaram-se e foram embora. Renato, hoje veterinário, afirma que a família tinha visão de que as terras eram escassas para o sustento e tantas pessoas e, por isso, precisavam estudar.
Apesar de muitos terem deixado a vida na roça para trás, a propriedade continua sendo o ponto de encontro onde Fiorentino Cassol reúne a família para os almoços de domingo.

Família Cassol, em Novo Treviso (RS)