Soja: calor e seca limitam recuperação das lavouras
Cultura da soja segue impactada pela estiagem no Rio Grande do Sul
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A cultura da soja segue impactada pela estiagem no Rio Grande do Sul, apesar do retorno das chuvas em diversas regiões. Segundo o boletim conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na última quinta-feira (20), na Fronteira Oeste, lavouras em estágio avançado não conseguiram recuperar o potencial produtivo, embora tenham evitado maiores perdas. Em Manoel Viana, a quebra na produtividade chega a 50%, enquanto em Maçambará, cultivos tardios sofreram menos impactos. Em São Gabriel, o cenário se agrava e há produtores que decidiram interromper investimentos ou destinar áreas para pastejo.
Na Campanha, chuvas recentes ajudaram a repor a umidade do solo em áreas que não haviam sido beneficiadas anteriormente. No entanto, os produtores que ainda precisavam plantar ou replantar já não podem mais fazê-lo, pois a janela do Zoneamento Agrícola se encerrou em janeiro.
Na Serra, os cultivos enfrentam problemas como podridão radicular, além dos impactos da seca e das temperaturas elevadas. Municípios como Montauri, União da Serra, Esmeralda e Pinhal da Serra foram os mais atingidos.
Nas regiões de Erechim, Ijuí e Passo Fundo, a soja está em fases de formação de vagens e enchimento de grãos. A queda na produtividade é generalizada, causada principalmente pelo déficit hídrico registrado nos últimos meses.
Na região de Pelotas, o retorno das chuvas ajudou a recuperar parte das lavouras afetadas pelo estresse hídrico. Contudo, o calor excessivo e o abafamento em fevereiro podem afetar a produção final.
Em Santa Maria, as perdas já são irreversíveis, mas a expectativa para os cultivos ainda em fase vegetativa é positiva, caso o regime de chuvas continue regular.
Na região de Santa Rosa, lavouras implantadas em dezembro apresentam porte reduzido e crescimento limitado, o que pode comprometer a colheita. Além disso, há preocupação com a falta de seguro agrícola, pois muitos produtores não conseguiram contratar proteção devido a restrições legais.
Já em Soledade, as chuvas recentes devem beneficiar cultivos de ciclo longo, mas as variedades precoces já apresentam produtividade abaixo do esperado.