Soja derrete nos EUA sem demanda da China
Foco está na América do Sul, com produto brasileiro atrativo pela desvalorização do Real
O preço da soja na Bolsa de Cereais de Chicago (CBOT) registrou na quinta-feira (16.04) baixa de 5,25 pontos no contrato de Maio/20, fechando em US$ 8,3675 por bushel. Os demais vencimentos em destaque da commodity na CBOT fecharam a sessão com desvalorizações entre 5,25 e 6,00 pontos.
Os principais contratos futuros tiveram a quarta sessão consecutiva de perdas no mercado norte-americano da oleaginosa. O movimento arrastou as demais principais commodities, tais como milho e trigo. Os chineses deixaram os Estados Unidos de lado e estão focados na oleaginosa da América do Sul, comprando principalmente um produto brasileiro atrativo em função da desvalorização do Real.
De acordo com a Consultoria ARC Mercosul, o mercado mundial de commodities agrícola acompanhou o macrocenário econômico, que voltou a ressaltar o medo diante da dispersão do COVID-19: “As cotações da soja em Chicago parecem seguir um patamar baixista para estimular a demanda chinesa pelo produto estadunidense. A ARC ressalta que a oleaginosa brasileira desembarcada na China é, em média, 5% mais barata que o grão importado dos Estados Unidos - claro, não contabilizando a tarifa de 25% da Guerra Comercial”.
“Em outras palavras, visando o reestabelecimento do acordo político entre Trump e Jinping, que prevê a quebra temporária das taxas sobre a soja, ainda sim o grão norte-americano continuará mais caro que o brasileiro sem que novas quedas sejam observadas em Chicago. Mesmo com a China reconstruindo seus estoques de reserva e com uma ‘fome’ gigantesca pela oleaginosa, as exportações dos EUA continuam medíocres, com apenas 244 mil toneladas do grão embarcado nesta última semana, sendo o menor patamar para o período desde 2014”, concluem os analistas da ARC Mercosul.