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Sementes


Tecnologia de sementes - Colheita

 
Conceitos Produção de sementes Qualidade de sementes Análise de sementes Patologia de sementes Colheita de sementes Secagem, Beneficiamento e Armazenagem
 
1. Introdução

A colheita da cultura é a etapa final do processo de produção. A mecanização do processo de colheita se tornou necessária para acompanhar o crescimento da população e sua demanda, e a  necessidade de se produzir cada vez mais alimentos com menos pessoas empregadas na agricultura. Portanto, é necessário que as máquinas empregadas no processo sejam eficientes, ou seja, apresentem poucas perdas para que todo o esforço aplicado durante as outras etapas de produção não seja em vão.

Consiste basicamente de quatro operações:

a) Corte;

b) Trilha;

c) Separação das sementes;

d) Limpeza.

Essas operações podem ser realizadas de forma manual ou mecanizadas, separadamente ou de forma mista, ou seja, corte manual e trilha mecanizada e vice-versa. A escolha do método para cada situação vai depender da espécie, da área, das condições locais, da tecnologia existente, das máquinas e da economicidade do processo.

2. A colhedora

As colhedoras de grãos podem ser de arrasto, quando tracionadas pela barra de tração e acionadas mecanicamente pela tomada de potência, montadas, semelhante às de arrasto, porém acopladas ao sistema de levante hidráulico do trator, e autopropelidas, quando as máquinas possuem fonte de potência própria. A colhedora que é capaz de realizar todas as operações do processo de colheita é também chamada de combinada.

A colhedora combinada possui sistemas com funções específicas. Os principais são o corte, a alimentação, a trilha, a separação e a limpeza do produto. Seus diversos setores podem ser regulados em função das condições e do tipo de cultura a ser colhida, entre elas, a soja, milho, arroz, trigo, sorgo, cevada, aveia, alfafa e malte.

Uma colhedora automotriz convencional é constituída basicamente dos seguintes sistemas (Figura 1):


Figura 1 - Esquema de uma colhedora combinada automotriz.

 
a) Corte e alimentação (Figura 2):
 


Figura 2 - Esquema de sistema de corte e alimentação de colhedora combinada automotriz.
 

O sistema de corte e alimentação possui os seguintes componentes e respectivas funções:

- Barra de corte - tem a função de realizar o corte das hastes das plantas. É constituída de navalhas, contra-navalhas, dedos duplos, régua e placas de desgaste;

- Molinete - tem a função de tombar sobre a plataforma as plantas cortadas pela barra de corte. É constituído de suportes laterais, eixo central, travessões e pentes recolhedores e necessita de velocidade e posicionamento adequados;

- Caracol - é um cilindro ôco situado na plataforma logo após a barra de corte, tendo na sua superfície e a partir das extremidades, lâminas helicoidais que trazem para o centro da plataforma todo o material cortado pela barra de corte e que cai sobre a plataforma. Na parte central, o caracol possui uma série de dedos retráteis os quais ficam totalmente expostos na parte da frente do caracol, transferindo o material amontoado pelos helicoides para a esteira alimentadora;

- Esteira alimentadora - é um mecanismo constituído de duas transmissões por correntes paralelas, unidas por travessas que preenchem totalmente o espaço, também conhecido por garganta, que une a plataforma de corte ao sistema de trilha.

b) Trilha:

O sistema de trilha é constituído dos seguintes componentes (Figura 3):
 


Figura 3 - Exemplo de sistema de trilha e separação de colhedora combinada automotriz.
 

- Cilindro de trilha - composto de barras estriadas dispostas sobre uma estrutura metálica em forma de cilindro. Tem a função de exercer ações mecânicas de impacto, compressão e atrito, por esfregamento, sobre o material que está sendo introduzido entre ele e o côncavo, causando a trilha;

- Côncavo - tem a forma aparente de uma calha tendendo a envolver o cilindro de trilha. É composto de barras estriadas unidas por estrutura metálica que toma forma de uma grelha que permite a filtração das sementes, vagens e fragmentos de vagens e de hastes. O material não filtrado através do côncavo é dirigido ao sistema de separação (Figura 4).
 


Figura 4 - Esquema de cilindro de trilha e regulagem do côncavo de colhedora combinada automotriz.
 

c) Separação:

O sistema de separação é composto de:

- Extensão regulável do côncavo - suspende o fluxo de palha e sementess, de forma que o batedor direcione o mesmo sobre o extremo dianteiro do sacapalhas, aproveitando assim, toda a área de separação. Sem a extensão do côncavo, a maior parte do material trilhado cairia sobre o bandejão, indo posteriormente sobrecarregar as peneiras. Com a extensão do côncavo, espera-se que apenas os grãos soltos caiam sobre o bandejão;

- Batedor - tem a função de reduzir a velocidade da palha eliminada pela abertura de saída do sistema de trilha e direcioná-la para a parte frontal do saca-palhas, realizando ainda uma batedura final da palha graúda para a liberação de sementes eventualmente não separadas;

- Cortinas retardadoras – geralmente feitas de material flexível (lona ou borracha), estão situadas sobre o saca-palhas e têm a função de retardar a velocidade de eliminação da palha, para garantir a filtragem das sementes misturadas à mesma;

- Saca-palhas - têm a função de eliminar a palha graúda e recuperar as sementes misturadas à mesma. É composto geralmente de 4 a 6 calhas perfuradas, com grelhas no seu interior para a recuperação e escoamento das sementes e com as bordas em forma de cristas voltadas para a parte traseira para eliminar a palha graúda (Figura 5).


Figura 5 - Exemplo de saca-palhas de colhedora combinada automotriz.
 

d) Limpeza:O sistema de limpeza possui os seguintes componentes (Figura 6):
 


Figura 6 - Exemplo de sistema de limpeza de colhedora combinada automotriz.
 

- Bandejão - é uma superfície em forma de crista (alternando partes inclinadas e verticais) voltada para a parte posterior da colhedora, situada abaixo do côncavo e que possui um movimento retilíneo de vai-e-vem. As partículas mais pesadas, no caso as sementes, ficam embaixo, e as partículas mais leves, o palhiço, em cima. Na parte final do bandejão, um pente de arame facilita a separação dos grãos e da palha, auxiliado pela corrente de ar do ventilador, quando as camadas estratificadas são atiradas sobre as peneiras;

- Peneira superior - é uma peneira de abertura ajustável e que possui também um movimento de vai-e-vem. Recebe o material vindo do bandejão e tem a função de filtrar os grãos. Pelo movimento de vai-e-vem as vagens inteiras devem ser transportadas até a parte posterior da peneira onde passarão à extensão da peneira superior, que possui abertura um pouco maior do que a peneira inferior. Nesta extensão, as vagens inteiras e pedaços de vagens ainda contendo sementes, serão filtrados e dirigidos novamente ao mecanismo de trilha;

- Peneira inferior - é uma peneira similar à superior, devendo ter sua abertura ajustada para permitir somente a passagem de sementes;

- Ventilador - tem a função de gerar uma corrente de ar ascendente que age por baixo das peneiras eliminando todas as partículas mais leves que as sementes. 

3. Momento da colheita

O momento adequado para a colheita pode ser dividida em:

a) Colheita prematura - é aquela feita quando a semente estiver madura, porém não debulhando com facilidade. Nessa fase, as sementes apresentam alto teor de umidade, o que dificulta ou impede a trilha. A presença de grande massa verde da planta dificulta ou impede o funcionamento dos mecanismos de trilha e separação havendo, consequentemente, perda de sementes;

b) Colheita ótima - é aquela na qual se tem o número máximo das sementes morfologicamente maduras, debulhando com relativa facilidade para facilitar a trilha, tendo-se índice pequeno de deiscência ou degrane;

c) Colheita tardia - ocorre quando a umidade da semente está baixa, facilitando a trilha e separação (limpeza), entretanto podendo ocorrer perdas como deiscência e degrane. 






José Luis da Silva Nunes
Engenheiro Agrônomo, Dr. em Fitotecnia



Bibliografia consultada

PESKE, S.T.; ROSENTHAL, M.D.; ROTA, G.R.M. Sementes: Fundamentos científicos e tecnológicos. 3ª edição. Pelotas: Editora rua Pelotas, 2012. 573p.



 

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