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Manejo sustentável do solo

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Manejo sustentável do solo
25/05/10 - 17:07 
Por Marcelo Valadares Galdos e Carlos Clemente Cerri *
 
                                                               
É amplamente reconhecido que o Uso da Terra, a Mudança no Uso da Terra e as Atividades Florestais (LULUCF, na sigla em inglês) é um setor-chave de mudança climática, sendo ao mesmo tempo responsável por quantidade significativa de gases de efeito estufa (GEEs) liberados e também apresentando um papel importante e potencial na mitigação de mudanças climáticas. Sozinho, o setor agrícola (ou seja, o Uso da Terra) é responsável por cerca de 14% do total de emissões antropogênicas globais de GEEs, e há previsões de que ele apresente altas taxas de crescimento de emissões, guiadas principalmente por aumentos populacionais e de renda. De acordo com o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), o desflorestamento é responsável por outros 17%, levando a contribuição total do setor LULUCF a quase um terço do total de emissões globais atuais.

O Brasil é um dos maiores emissores de GEEs do mundo, e é sabido que a maior parte dessas emissões no país provém de queimadas relacionadas ao desflorestamento da Amazônia. O Brasil sofreu, e ainda sofre, pressões regulares para refrear a destruição da floresta tropical Amazônica. Os dados oficiais brasileiros mais recentes sobre emissões e fixação de GEEs foram publicados em 2004 no relatório “Comunicação Nacional Inicial do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima”. A segunda parte desse relatório incluiu o primeiro inventário de GEEs, mas abrangeu apenas o período de 1990 a 1994. Esse relatório mostrou que o subsetor “Conversão de Florestas” foi o maior contribuidor em 1994, representando 55% do total de fontes de GEEs, totalizando 1,728 bilhões de toneladas de equivalente de CO2, e quase 82% das emissões apenas desse gás. Esse último percentual se reduz para 75% quando se considera o resultado final, que inclui uma fixação de CO2 de 251 milhões de toneladas.

Um estudo recente fornece não apenas estimativas atualizadas das emissões de GEEs para o território brasileiro, mas também cálculos da parcela de contribuição efetiva e estimada da agropecuária no país. Os autores mostram que o setor agrícola aumentou em 21% e 24% as emissões de metano e óxido nitroso nos anos de 2000 e 2005, respectivamente. No caso do metano, o principal colaborador para esse aumento foi o subsetor fermentação entérica, responsável por mais de 93% do metano liberado nesses dois anos. Logo, ele representa a fonte mais importante de metano para a atmosfera. Em termos de emissões de óxido nitroso, o subsetor solos agrícolas representou mais de 95% das emissões nos anos de 2000 e 2005, e inclui fontes de emissões diretas de óxido nitroso, como pastagem de animais, fertilizante sintético, esterco animal produzido fora da área de cultivo, fixação biológica, resíduos vegetais, etc., além de fontes de emissões indiretas, como lixiviação, erosão e deposição atmosférica.

Portanto, é necessário identificar e estimular práticas de manejo que não apenas reduzam as emissões de carbono, óxido nitroso e metano, mas também aumentem a fixação do carbono atmosférico na vegetação e no solo. Algumas dessas opções são apresentadas a seguir:

Plantio direto – o plantio direto pode ser definido como um sistema de produção em que se deixa o solo descansar da colheita até o plantio, exceto pela aplicação de fertilizantes. Atualmente, há no mundo mais de 60 milhões de hectares em sistemas de plantio direto, dos quais aproximadamente 25 milhões estão no Brasil.

Práticas de plantio direto frequentemente resultam em acúmulo significativo de carbono no solo e, conseqüentemente, na redução de emissões de gases, especialmente de CO2, em comparação com o plantio convencional. Estudos de campo mostram que há compensação significativa de carbono devido à redução significativa no consumo de combustíveis (60% a 70%) no sistema de plantio direto em comparação com o plantio convencional. Deve-se observar que a quantidade de resíduos devolvidos, as variações nas práticas implantadas e o tipo de clima são fatores que podem influenciar o resultado. Segundo pesquisadores, só é possível obter determinadas quantias fixas de carbono no solo até um novo limite de equilíbrio, que é reversível se o manejo retomar o plantio convencional.

Colheita mecanizada sem queima da cana-de-açúcar – tradicionalmente, a cana-de-açúcar tem sido queimada no campo antes da colheita para facilitar o corte manual com a remoção de folhas e insetos. Contudo, a prática tem sido progressivamente proibida por lei em algumas áreas do Brasil. Além das emissões de GEEs, sabe-se que a queima produz fumo negro (black carbon), causando problemas respiratórios e queda de cinzas sobre áreas urbanas. A adoção da colheita mecânica sem queima tem aumentado exponencialmente no Brasil durante a última década. Em 1997, cerca de 20% da área de cana-de-açúcar do Brasil era colhida por máquinas. Atualmente, a colheita em aproximadamente 50% da área total é feita sem queima de folhas secas e pontas, e estima-se que cerca de 80% da área plantada na região de maior produção de cana-de-açúcar do Brasil estará sob colheita mecânica nos próximos dez anos.

Melhoria no manejo da pecuária – o IPCC revisou os potenciais de mitigação ligados a fatores dos rebanhos e da alimentação animal e relatou que eles podiam ser classificados em: melhoria das práticas de alimentação, uso de agentes específicos ou aditivos nutricionais e mudanças no manejo de longo prazo e criação de animais. Com relação às práticas de alimentação animal, o maior uso de concentrados geralmente aumenta a emissão de metano por animal, mas uma vez que isso também melhora o desempenho (produção de leite e carne), o resultado final é uma redução global das emissões de metano por unidade de produto (litro de leite ou quilo de carne). Outra alternativa consiste no uso de aditivos (ionóforos, precursores do propionato, taninos condensados) que afetam diretamente a metanogênese dentro do rúmen, mas essas opções podem ser limitadas devido às barreiras existentes com relação ao seu uso (os ionóforos foram proibidos na Europa), seu custo ou seus efeitos adversos nas taxas de conversão em carne.

Atualmente, há uma proporção significativa de pastagens em diferentes estágios de degradação. O manejo apropriado do gado e das pastagens depende de um aumento da produtividade do solo, evitando o desflorestamento e tornando o sistema mais sustentável. Um dos efeitos da intensificação da produção bovina é que mais terra é disponibilizada para outros usos, como culturas alimentares e energéticas. Pastagens adequadamente manejadas possuem alto potencial de sequestro de carbono no solo que, combinado ao uso do sebo bovino na produção de biodiesel, pode reduzir as emissões de GEEs para a atmosfera e contribuir para a mitigação do aquecimento global. A maioria dos esforços de mitigação no Brasil tem sido direcionada aos setores de energia e às atividades florestais, com foco na redução do desflorestamento na Amazônia. O último aspecto obteve algum sucesso, visto que as taxas de desflorestamento foram reduzidas. Sustentamos que a agropecuária atualmente apresenta oportunidades de atingir os objetivos de mitigação traçados no Brasil. Além disso, as opções de mitigação não devem ser direcionadas apenas às reduções de emissões, mas também ao aumento da fixação de carbono. A adoção do plantio direto na produção de grãos, da colheita mecanizada sem queima da cana-de-açúcar e de melhores práticas de manejo na pecuária são exemplos de opções de mitigação que se provaram eficazes, fáceis de adotar e economicamente viáveis.

Marcelo Valadares Galdos e Carlos Clemente Cerri são pesquisadores do Laboratório de Biogeoquímica Ambiental do Centro de Energia Nuclear na Agricultura / Universidade de São Paulo. Artigo originalmente publicado no Relatório do Seminário Agricultura, Mudanças Climáticas e Comércio, do Ícone (Instituto de Comércio e Negociações Internacionais).

1 - Cerri, C. C., Maia, S. M. F., Galdos, M. V., Cerri, C. E. P., Feigl. B. J., Bernoux, M. (2009) Brazilian greenhouse gas emissions: importance of agriculture and livestock. Scientia Agrícola, 66: 831-843.

Monsanto do Brasil Ltda
Página gerada em: 27/11/2014 07:09:46 - (5 min)

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15/08/2012 às 09:05h - Parabéns pelos artigos. Favor enviar o artigo MANEJO SUSTENTÁVEL DO SOLO na integra se possivel. Grato. Escobar (NELSON ESCOBAR)