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Variedades velhas ou novas: porque mudar?

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10/02/2015 - 14:45

Amélio Dall’Agnol

Sei que muitos colegas melhoristas de plantas não admitem a possibilidade de que uma boa variedade de soja do passado poderia competir com as melhores variedades do presente, quando apenas o fator produtividade for considerado na equação. Isto porque variedades muito produtivas do passado foram retiradas do mercado por outros defeitos genéticos, que não o seu desempenho produtivo. Na ausência dos fatores restritivos que as condenaram no passado essas variedades poderiam, eventualmente, ser cultivadas hoje e competir com as mais plantadas na última safra.
Eu também sou melhorista de plantas, especialização que obtive nos meus cursos de Mestrado e Doutorado na Universidade da Flórida, EUA. Pois foi da Flórida que veio Bragg, a variedade de soja mais cultivada na região sul do Brasil nas décadas de 1960 e 1970. Posteriormente, mesmo continuando a ser muito produtiva, essa variedade foi descartada por causa da sua vulnerabilidade às doenças Mancha olho de rã e Cancro da haste, problemas inexistentes no Brasil quando da sua introdução.
O que teria acontecido com a soja Bragg, sem a presença dessas duas enfermidades? Talvez ela ainda estivesse sendo cultivada com êxito, juntamente com outras centenas de novas variedades que vieram depois dela e foram igualmente descartadas, o que nos permite intuir que o que mais motiva a troca de variedades no mercado de sementes não é apenas a sua capacidade produtiva, mas outras vantagens como o ciclo mais adequado para o sistema de produção vigente (pode favorecer o estabelecimento de um segundo cultivo no verão), um melhor controle de plantas daninhas (soja RR), resistência a pragas (soja Bt) e o porte ereto e reduzido (menos de 90 cm) das plantas, entre outras qualidades. Desde o início dos programas de melhoramento genético da soja no Brasil, mais de 1.300 variedades foram desenvolvidas, registradas e descartadas no país por motivos diversos, entre os quais a produtividade, mas não só.
Os pesquisadores que atuam no desenvolvimento de novas sementes precisam, portanto, estar permanentemente antenados e prontos para intervir na solução de problemas novos: novas pragas e novas doenças entre outros, além de estarem prontos para aproveitar oportunidades de incorporar novas características potencialmente desejadas pelo setor produtivo de soja, sem desconsiderar que a variedade é apenas um dos muitos fatores que contribuem para uma boa colheita.
Uma variedade geneticamente superior não significa muita coisa, se ela não puder expressar o seu máximo potencial genético, o que só acontece quando os demais fatores de produção estão presentes em condições ideais: água na quantidade e momento certo, nutrientes segundo as necessidades indicadas pela análise do solo, ausência de compactação do solo, controle de plantas daninhas, de pragas e de doenças, entre outros. Ou seja, a utilização de variedades modernas, com alto potencial produtivo, deve ser acompanhada com práticas de manejo que disponibilizem às plantas as condições ambientais necessárias à expressão desse potencial.
Não faz sentido investir na compra de uma Ferrari para rodar em estrada de chão.




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