Agronegócio

Previdência: os Brasileiros despreparados

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A necessidade de reformas no sistema previdenciário não é uma exclusividade brasileira. Para as diferentes Nações o “cobertor é curto”, pois as pessoas estão vivendo mais, a força de trabalho vem diminuindo e o número de beneficiários aumentando. Isso se chama “crise estrutural do sistema previdenciário”. E essa crise é tanto mais aguda quanto o sistema permita que os trabalhadores se aposentem muito cedo, em relação ao “tempo de vida útil” que possuem. No caso brasileiro, o sistema previdenciário está quebrado (mais um), a julgar pelos números oficiais. E se nada for feito imediatamente é certo que os jovens atuais não terão previdência pública. Ou, na melhor das hipóteses, poderão alcançar uma previdência irrisória que os obrigará a trabalhar durante toda a vida (como já é o caso hoje para uma grande maioria de brasileiros). Senão vejamos: a projeção de déficit para a Previdência brasileira em 2016 é de R$ 133,6 bilhões no caixa do regime geral. Esse déficit era de apenas R$ 17 bilhões em 2002. Um dos problemas está na diferença entre os desembolsos e a arrecadação. Entre 2014 e 2015 os primeiros subiram 10%, enquanto a segunda cresceu apenas 3%. Somente aí o rombo foi de R$ 85,8 bilhões. Nesse ritmo, em 2019 o passivo será de R$ 200 bilhões (seis vezes o atual orçamento nacional para a Educação e o dobro do que é destinado à Saúde). As causas são muitas, em especial a falta de suficiente ordenamento e fiscalização, com pessoas que nunca contribuíram se aposentando facilmente. Ou se reforma profundamente a Previdência brasileira (o “fator previdenciário” já não segura mais o problema) ou teremos um caos socioeconômico definitivo em cerca de 20 anos. Um dos caminhos será aumentar a idade mínima para a aposentadoria, como a maioria dos países atentos ao problema já o estão fazendo, sem falar na possibilidade de unificar as regras para os trabalhadores privados e públicos. É bom lembrar que sem reforma da previdência (assim como outras reformas essenciais) dificilmente haverá ajuste fiscal, pois uma das causas do rombo nas contas públicas é a estrutura estatal ultrapassada, cujo rombo da previdência é um exemplo. E sem ajuste fiscal, a crise continuará e se aprofundará! Em paralelo, natural seria que os brasileiros investissem em uma “aposentadoria complementar”. Ora, recente pesquisa do SPC Brasil revelou que 60% dos brasileiros, com vida economicamente ativa, não se preparam para a aposentadoria e contam apenas com o benefício público (o popular INSS). Ou seja, temos diante de nós um país que verá boa parte de sua população empobrecer na velhice, sem ter condições de reverter tal situação. Se é verdade que muitos (32,7% dos que não se preparam) não possuem recursos financeiros suficientes para tal, outros 67,3% preferem viver o presente, comprometendo o futuro. Diante desse quadro preocupante, cabe alertar que o Brasil terá um fardo insuportável logo adiante, perpetuando o seu subdesenvolvimento num contexto de crise constante. E, como sempre, não será por falta de aviso! 
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