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juros: um absurdo nacional (II)

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30/09/2016 - 00:00

Argemiro Luís Brum

Na atualidade, o Brasil possui os maiores juros reais do mundo, com a média nacional atingindo a 6,79%, contra 2,71% anuais da China, que vem em segundo lugar, seguida da Rússia com 2,3%, da Indonésia com 2,29% e da Índia com 1,67%. No comentário passado vimos que os juros absurdamente elevados no Brasil estão igualmente colocando a economia nacional de joelhos. Enquanto isso o sistema financeiro nacional lucra enormemente, tendo auxiliado na formatação da crise que vivemos, aproveitando-se de decisões temerárias de nossos governantes em um passado recente. Pois o lucro dos quatro maiores bancos no país (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander) cresceu R$ 13,46 bilhões no segundo trimestre de 2016, após R$ 12,87 bilhões no primeiro trimestre/16; R$ 13,73 bilhões no quarto trimestre/15; R$ 14,39 bilhões no terceiro trimestre/15; e R$ 17,34 bilhões no segundo trimestre/15. Os quatro bancos, no dia 11/08 passado, alcançaram juntos o maior valor de mercado desde dezembro de 2006 (cf. Economática). Por outro lado, é bom lembrar que juros altos fazem a dívida pública crescer (somente em 2015 a dívida pública federal cresceu 21,7%, totalizando mais de R$ 2,8 trilhões, sendo que R$ 367,7 bilhões foram apenas com pagamento de juros da mesma), pois boa parte desta dívida está atrelada à Selic. Isso porque o governo, ao continuar gastando mais do que arrecada, se vê obrigado a emitir títulos de dívida pública para captar recursos no mercado e financiar suas atividades e, nos últimos tempos, financiar o inchaço da máquina oficial. Os investidores compram esses títulos e, em troca, recebem no futuro o valor emprestado mais os juros. Desta forma, o descontrole do próprio governo alimenta o mercado financeiro e o aumento dos juros. Ora, juros elevados acabam levando para o sistema especulativo recursos que seriam destinados à produção no país, deixando de gerar empregos e, até mesmo, aumentando o desemprego. Como se nota, a desestruturação gerencial e financeira do Estado, através de governos inaptos ou interesseiros, favorece o rentismo em geral e o bancário em particular. Essa realidade brasileira confirma que estamos longe de exercermos o verdadeiro capitalismo que leva ao desenvolvimento. O que temos é um sistema financeiro concentrador de renda, pouco interessado em investir na produção, que se aproveita da desorganização e do mau gerenciamento público sempre que a ocasião se oferece. Assim, além do necessário ajuste fiscal e das reformas estruturais, temos mais este gargalo a superar. Isso, obviamente, se quisermos melhorar efetivamente a economia nacional, em favor da Nação, a colocando novamente nos trilhos que nos permita um crescimento sustentável que possa, um dia, oferecer um indicativo seguro de desenvolvimento. 




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