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Teria passado o pior?

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30/08/2016 - 00:00

Argemiro Luís Brum

Há um sentimento que perpassa boa parte da sociedade brasileira de que o pior da crise econômica nacional teria sido superado. Alguns números e projeções no campo econômico dão a entender que sim. Especialmente o otimismo projetado para 2017, onde um crescimento de até 1,6% do PIB vem sendo indicado pelo governo interino, após -3,2% no corrente ano e -3,8% em 2015. A realidade geral, no entanto, escapa da emoção e dos desejos e, por enquanto, exige cautela. Sim, é possível esperar um 2017 melhor e, sim, é possível dizer que o país pode estar iniciando, finalmente, uma saída do “fundo do poço” da atual crise. Todavia, algumas condições fundamentais precisam estar reunidas para isso realmente se confirmar na prática. Em primeiro lugar, o processo de impeachment, cuja fase final se inicia neste dia 25/08, precisa confirmar a continuidade do governo interino e sua equipe econômica. Em segundo lugar, este governo precisa parar de oferecer benesses, gastando o que não deveria, e partir efetivamente para os ajustes e reformas necessários. Em terceiro lugar, os fundamentos da economia, salvo algumas exceções, ainda mostram um cenário muito negativo (as empresas e famílias continuam muito endividadas e inadimplentes; os bancos continuam restringindo o crédito e aumentando o juro, independentemente da Selic; e o Real tende a se apreciar ainda mais nos próximos meses devido a entrada de dólares a partir dos programas de concessões que o governo irá lançar no início de setembro – sem falar no capital especulativo em busca de nosso juro caso o juro básico dos EUA não suba neste ano). Assim, se houver crescimento em 2017, o mesmo será bem menor do que o esperado pelo governo (a FGV calcula em 0,5% em um cenário normal) além de o processo de recuperação geral da economia ser lento nos anos seguintes. Afora isso, o Brasil não conta, como em crises passadas, com a recuperação da economia mundial. Ao contrário, o mundo continua enfrentando enormes dificuldades para sair da crise de 2007/08. Soma-se a isso o fato de que as medidas de ajustes que o governo interino precisa adotar não serão expansionistas, o que não ajudará a acelerar o crescimento da economia nos próximos anos. Assim, o fato positivo é que a economia brasileira está se estabilizando, indicando um viés de recuperação. Todavia, a mesma tende a ser lenta e, por isso, longe de ser suficiente para garantir uma arrecadação de que o governo precisa para o cumprimento da meta fiscal. Isso significa que um aumento de impostos deverá acontecer em um horizonte não muito distante. Ora, aumento de impostos significa menos renda aos consumidores e empresas e, portanto, menos consumo para puxar a economia. Além disso, e mais uma vez, tais aumentos de impostos virão para fechar o rombo das contas públicas e não para melhorar os serviços estatais aos cidadãos brasileiros. Se a causa do rombo (gastança pública desenfreada e malfeita) não for estancada, voltaremos à estaca zero e logo aí na frente teremos nova crise para administrar, sem nem mesmo termos saído suficientemente da atual. 




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