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O furo é ainda mais embaixo

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25/07/2016 - 00:00

Argemiro Luís Brum

O governo interino brasileiro precisa urgentemente passar a aplicação concreta das medidas de ajuste, pois enquanto tergiversa a economia continua afundando. Senão vejamos: o PIB de maio, segundo o Banco Central, recuou 0,51%, após o tênue otimismo gerado em abril, quando a prévia foi de 0,07% positiva. Em 12 meses, encerrados em maio/16, a retração da economia brasileira é de 5,79%. Na esteira desta crise o varejo de alimentos no Brasil, entre janeiro e abril de 2016, fechou 14.300 pontos de venda, ou seja, quase 600% acima do registrado no mesmo período de 2015. De janeiro a junho deste ano 1.098 empresas quebraram no Brasil (+26,5% sobre o mesmo período do ano anterior). Somente em junho o aumento na quebradeira de empresas foi de 20,2%, sobre maio e 22,8% sobre junho de 2015. Enquanto isso, os pedidos de recuperação judicial aumentaram em 113,5% no primeiro semestre de 2016 sobre igual período do ano anterior (no Rio Grande do Sul o aumento foi de 242%). A venda de veículos, no período, caiu 25,4%, se constituindo no pior semestre dos últimos 10 anos. A inadimplência dos brasileiros ainda soma 59,4 milhões de pessoas. Paralelamente, o governo central informa que, além do rombo de R$ 170 bilhões nas contas públicas deste ano, deverá haver um furo de R$ 139 bilhões em 2017. Somente em maio o déficit público foi de R$ 15,49 bilhões, se constituindo no maior da história para meses de maio, desde 1997. Ou seja, o corte nos gastos públicos não acontece. Será mais fácil, outra vez, aumentar a receita via aumento de impostos e taxas. Não é por nada que muito se fala no retorno da CPMF, em novo aumento da CIDE (imposto sobre os combustíveis) e até uma taxa (confisco) sobre os produtos primários exportados. Enquanto isso, a inflação anualizada (julho/15 a junho/16) recua para 8,84%, porém, o resultado é oriundo, sobretudo, de um “efeito demanda” ao inverso. Ou seja, os preços estão recuando agora, mesmo que lentamente, porque a demanda está freada já que as pessoas estão com seus orçamentos muito apertados (cf. IBGE). Ao mesmo tempo o crédito crescerá somente 1% neste ano, contra uma projeção inicial de 5%, enquanto o crédito com recursos livres irá recuar 1%. Ou seja, a economia sofre novas travas na sua difícil missão de voltar a decolar. Mas o Estado continua gastando e mal. Hoje 5.000 obras iniciadas com dinheiro público estão paradas no país (a partir de levantamento sobre apenas 10 Estados dos 27 que a Federação comporta), sem perspectivas de continuidade. Isso significa mais de R$ 15 bilhões empatados. Ao mesmo tempo, o governo, assim como foi feito com a Copa do Mundo, gasta com a Olimpíada o que não tem. Apenas para o “desfile” da Tocha Olímpica em 15 capitais brasileiras, a União repassou R$ 3,57 milhões, sem falar no que os próprios Estados da Federação e os municípios gastaram com tal cerimônia. Até o momento, o governo federal investiu diretamente R$ 2,4 bilhões nos Jogos de 2016. Enquanto isso, cortam-se verbas da saúde, da educação, da segurança... Desta forma, fica difícil realizar o tão necessário ajuste fiscal. E o desequilíbrio fiscal de hoje é a crise e o desemprego de amanhã. 




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