19/01
CME
BM&F

Soja
10,70 (19/01)
n.d.

Milho
3,66 (19/01)
35,20 (19/01)

Cereais de Inverno


 Trigo

(Triticum aestivum L.)

 

A cultura

O trigo é uma gramínea de ciclo anual, cultivada durante o inverno, podendo ser irrigado ou não, sendo um alimento básico do povo brasileiro, consumido em diferentes formas como pães, massas alimentícias, bolos e biscoitos.

A área

A área a ser cultivada deve ter boa fertilidade, ser livre de acidez, preferencialmente contar as com práticas de rotação de culturas, livre de pragas e doenças e que não sofram inundações para evitar baixos rendimentos. Na área a ser cultivada é importante que os restos culturais sejam depositados numa faixa equivalente à largura da plataforma de corte da colhedora, independentemente de serem ou não triturados.

Calagem a adubação

As indicações para correção da acidez de solo e de fertilidade são baseadas em resultados de análises químicas de solo. Devido a isso, a amostra de solo deve ser representativa das condições da lavoura. As quantidades indicadas de calcário e de fertilizantes pressupõem que os demais fatores que influenciam a produção estejam em níveis satisfatórios. As doses indicadas objetivam a obtenção de retorno econômico máximo, em função do uso desses insumos na cultura.

Nitrogênio: a quantidade de fertilizante nitrogenado a ser aplicar varia, basicamente, em função do teor de matéria orgânica do solo, da cultura precedente e da expectativa de rendimento de grãos da cultura, sendo esta dependente da interação de vários fatores de produção e das condições climáticas.

A dose de nitrogênio a ser aplicada na semeadura varia entre 15 e 20 kg/ha e o restante deve ser aplicado em cobertura, completando o total indicado. A aplicação de nitrogênio em cobertura deve ser realizada entre os estádios de afilhamento e alongamento, que corresponde ao período entre 30 e 45 dias após a emergência.

Observação I: No caso de resteva de milho e especialmente quando há muita palha, convém antecipar a aplicação em cobertura. Para cultivares muito suscetíveis ao acamamento, doses menores que as indicadas devem ser empregadas. Nas regiões de clima mais quente, de menor altitude e quando a cultura antecessora for a soja, é recomendável, independente do teor de matéria orgânica do solo, restringir a aplicação de N a no máximo 40 kg/ha (base + cobertura), a fim de evitar danos por acamamento. Nas regiões mais frias e solos com alto teor de matéria orgânica, as doses de N indicadas podem ser aumentadas visando a expressão do potencial de rendimento.

Observação II: Além dos fatores citados, é importante considerar a disponibilidade de N no solo. Assim, o histórico de cultivo da área, as condições climáticas, a época de semeadura, a incidência de doenças e a estatura da cultivar podem afetar o grau de resposta da planta ao fertilizante nitrogenado aplicado. No sistema de plantio direto tem-se observado que o rendimento do trigo é maior quando este é cultivado após a soja. 

Cultivares

A escolha da cultivar adequada é uma decisão que cabe ao produtor e/ou técnico, devendo-se levar em conta as características da área, da cultivar e a disponibilidade de semente.

A Comissão Sul-Brasileira de Pesquisa de Trigo indica que a semente usada deve ser fiscalizada ou certificada para conseguir atingir seu maior potencial.

Muitas cultivares indicadas para o Rio Grande do Sul e para Santa Catarina são, em grau variável, suscetíveis à germinação na espiga (que prejudica muito a qualidade da farinha), quando da ocorrência de chuvas na colheita.

O escalonamento da produção de trigo através da semeadura de diferentes cultivares e de cultivares em diferentes épocas, numa mesma propriedade, é recomendado para minimizar os riscos eventualmente causados por adversidades climáticas.

Semeadura

A densidade de semeadura indicada é de 300 a 330 sementes aptas/m2 para cultivares precoces. No final do período recomendado, deve-se dar preferência ao nível superior de densidade. Essas densidades são indicadas tanto para semeadura em linha como a lanço. A semeadura em linha tem algumas vantagens, como a distribuição mais uniforme de sementes; a maior eficiência na utilização de adubo; melhor cobertura da semente; menor possibilidade de dano às plantas quando da utilização de herbicidas em pré-emergência.

A distância entre as fileiras não deve ser superior a 20 cm e a profundidade deve ficar entre 2 cm e 5 cm. A cultura possui um ciclo relativamente curto (100 a 120 dias), sendo utilizada em sucessão as culturas de verão (soja, feijão, milho, etc.).

Irrigação

A exigência em água pelo cultivo do trigo ao longo do ciclo depende do seu potencial de produção. Em média produz-se 8 kg de grãos por milimetro de lâmina de água aplicado. Por exemplo, uma produtividade de 4.800 kg/ha de grãos requererá ao longo do ciclo uma lâmina de 600 mm de água. A Irrigação da cultura de trigo deve ser iniciada logo após o plantio e estende-se até o 102º dia pós semeadura numa média de 24 regas ao longo do ciclo.

Tratamento de sementes

            Na maioria das vezes, mesmo sem apresentar sintomas externos, as sementes podem estar infectadas por patógenos. Para evitar a reintrodução de fungos na lavoura, como Bipolaris sorokiniana, Drechslera tritici-repentis e Stagonospora nodorum, recomenda-se o tratamento de sementes para o plantio em lavouras com rotação de culturas de inverno ou em áreas novas, independentemente da incidência de B. sorokiniana nas mesmas.

 Informações sobre os fungicidas recomendados encontram-se na Seção AGROLINKFITO.

Controle de plantas invasoras, doenças e pragas

Devido as condições climáticas adversas, aliadas à suscetibilidade das cultivares, a cultura de trigo pode ter seus rendimentos reduzidos pela competição com plantas invasoras e/ou pelo ataque de pragas e doenças. Assim, deve ser realizado um controle integrado, unindo as diferentes técnicas de manejo a fim de se obter a maior produtividade com o menor custo.

A aplicação de agroquímicos é uma prática comum que exige a planificação da lavoura por parte da assistência técnica e/ou do agricultor. A adoção desta prática, bem como dos produtos a serem utilizados, deve ser decidida anteriormente ao surgimento da doença, praga ou invasora e associada a outras técnicas que assegurem um potencial elevado de rendimento da lavoura. A escolha da cultivar, a prática de rotação de culturas, o tratamento de sementes, poderão ser fundamentais para o sucesso da lavoura. Na escolha do produto recomendado, é importante considerar fatores como o modo de ação, eficiência, persistência, aspectos toxicológicos e econômicos.

Os produtos indicados para o controle das doenças, pragas e invasoras da cultura do trigo encontram-se no sistema AGROLINKFITO.

Colheita

O processo de colheita é considerado de extrema importância, tanto para garantir a produtividade da lavoura quanto para assegurar a qualidade final do grão.

Para reduzir perdas quali-quantitativas, alguns cuidados devem ser tomados em relação à regulagem da colhedora, lembrando que à medida que a colheita vai sendo processada as condições de umidade do grão e da palha vão variando, necessitando assim de novas regulagens.

Colheita de grãos com umidade ao redor de 13% permitem uma folga de 8 a 10 mm, e rotação em 950 rpm. Para colheita de grãos com umidade ao redor de 16%, a regulagem ideal exige uma folga entre cilindro e côncavo de 6 a 7 mm e aumento da rotação do cilindro para 1100 rpm.

As lavouras de trigo podem ser colhidas antecipadamente, visando escapar de chuvas na maturação plena, evitando-se o problema de germinação na espiga. Nesse caso, para colheita ao redor de 20% de umidade, é aconselhável a regulagem cuidadosa da colhedora. Recomenda-se, nesse caso, folga entre cilindro e côncavo de 6 mm e 1300 rpm de rotação no cilindro. Deve-se ter cuidado especial na velocidade e na localização do ar do ventilador, lembrando que tanto a palha quanto o grão estão mais pesados.

Deve-se dar atenção ao alinhamento e à afiação das navalhas da barra de corte e à velocidade do molinete (25% acima da velocidade de deslocamento), pois esses cuidados contribuem para a redução de perdas.

 Secagem

A secagem é uma operação crítica na seqüência do processo de pós-colheita. Como conseqüência da secagem, podem ocorrer alterações significativas na qualidade do grão.

A possibilidade de secagem propicia um melhor planejamento da colheita e o emprego mais eficiente de equipamentos e de mão-de-obra, mantendo a qualidade do trigo colhido.

O teor de umidade recomendado para armazenar o trigo colhido é da ordem de 13%. Desse modo, todo o produto colhido com umidade superior à indicada para armazenamento deve ser submetido a secagem. Em lotes com mais de 16% de umidade, indica-se a secagem lenta para evitar danos físicos no grão. A temperatura máxima na massa de grãos de trigo não deve ultrapassar 60 °C, para manutenção da qualidade tecnológica do produto. Nos secadores essa temperatura é obtida mediante a entrada de ar aquecido a mais ou menos 70 °C.

A secagem artificial de grãos caracteriza-se pela movimentação de grandes massas de ar aquecidas até atingirem temperaturas na faixa de 40 a 60 °C na massa de grãos, com o objetivo de promover a secagem de grãos em reduzido período de tempo.

 Armazenamento

Os principais aspectos que devem ser cuidados no armazenamento de trigo, uma vez limpo e seco, são: as pragas que atacam os grãos, danificando-os e muitas vezes dificultando a comercialização; os fungos que podem produzir micotoxinas nocivas ao homem e animais; e, os fatores que influenciam a qualidade tecnológica.

Anexo 1. Tipificação do trigo segundo a Instrução Normativa nº 7, de 15 de agosto de 2001, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Tipo

Peso do hectolitro (kg/hL)

(% mín.)

Umidade

(% máx.)

Matérias estranhas e impurezas

(% máx.)

Grãos avariados

Grãos danificados

por insetos

(% máx.)

Pelo calor, mofados e ardidos

(% máx.)

Chochos, triguilhos e quebrados

(% máx.)

1

78

13

1,00

0,50

0,50

1,50

2

75

13

1,50

1,00

1,00

2,50

3

70

13

2,00

1,50

2,00

5,00

 A classificação comercial estima a aptidão tecnológica do trigo. No anexo a seguir são indicados usos tecnológicos do trigo, por produto, baseados nos valores de força geral de glúten (W), de relação tenacidade/extensibilidade (P/L) e de número de queda (NQ).

 Anexo 2. Indicações de características de qualidade por produto à base de trigo.

Produto

W 1 (10-4 J)

P/L 2

Número de queda (segundos)

Bolo

50-150

0,40-1,00

>150

Biscoitos

50-150

0,40-1,00

>150

Cracker

250-350

0,70-1,50

225-275

Pão francês

180-250

0,50-1,20

200-300

Uso doméstico

150-220

0,50-1,00

200-300

Pão de forma

220-300

0,50-1,20

200-300

Massas alimentícias

>200

1,00-3,00

>250

1 Força geral de glúten, expressa em 10-4 Joules.

2 Relação entre tenacidade (P) e extensibilidade (L).

 


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