20/02
CME
BM&F

Soja
10,32 (20/02)
n.d.

Milho
3,68 (20/02)
33,96 (20/02)

Cereais de Inverno


Cevada

(Hordeum vulgare)

 

A cultura

A cultura da cevada basicamente se destina a produção de grãos, que são transformados em malte para a indústria cervejeira. Os grãos que não alcançam a qualidade para a indústria são destinados a fabricação de ração. A expansão desta cultura depende, entre outros fatores, do aumento da capacidade industrial das maltarias existentes no país. É uma cultura alternativa para propriedade, sendo o sul do país uma excelente área para sua produção. 

 

Distribuição no Brasil


 

A distribuição geográfica da produção de cevada é fortemente influenciada por aspectos socioeconômicos, tecnológicos e ambientais. A região sul do Brasil tem sido responsável pela produção do cereal no país nos últimos 30 anos (Figura 1).

 

Figura 1. Percentual de participação dos estados brasileiros na quantidade produzida de cevada, nos anos de 1975, 1990 e 2006. Fonte: Adaptada por De Mori et al. (2007) da base nos dados do IBGE (IBGE, 2006).

 

De modo geral, o estado do Rio Grande do Sul tem sido o maior estado produtor de cevada. Na média do período de 1997 - 2006, o Rio Grande do Sul foi responsável por 65,3% da quantidade produzida de cevada no país, o Paraná, Santa Catarina e Goiás representaram 31,6%, 2,3% e 0,8%, respectivamente.

 

Características


 A Cevada é um cereal de inverno da família Poaceae (Gramineae), utilizado na indústria cervejeira para a preparação do malte, na fabricação de rações, na indústria de farinha para alimentação infantil, na de doces e confeitos, na panificação e ainda para fins terapêuticos. A espécie de maior importância é Hordeum vulgare L com cultivares de 2 fileiras de espiguetas.

A Cevada é uma planta anual, com colmo de até 1m de altura. Possui folhas invaginadas em cada nó do colmo, compridas, eretas e glabras. O fruto é uma cariopse, amarelada, sulcada longitudinalmente. As flores estão dispostas em espigas densas e compactas na extremidade do colmo. A disposição das espiguetas no eixo dá a inflorescência um aspecto quadrangular.

No país, apenas a produção de cevada para malte cervejeiro é economicamente competitiva em relação à dos demais cereais, embora exija cuidados especiais na obtenção do padrão de qualidade.

 

Cultivares

Sendo plantada no outono/inverno, a cevada disputa espaço com as culturas de trigo, aveia e triticale cultivadas nesta época. O ciclo do plantio à colheita se completa entre 130 e 150 dias, dependendo da época de semeadura, região, cultivar e do ano.

As cultivares de cevada registradas e indicadas para cultivo nas safras de 2010 são:

BRS 195, BRS 225, BRS Borema, BRS Cauê, BRS Elis, MN 721, MN 743 E MN 858

 

MN760 e MN836

 

BRS 195
 

As características agronômicas consideradas como as mais importantes para a tomada de decisão relativa ao manejo da cultura das cultivares indicadas são apresentadas na Tabela 1. 

 

Tabela 1. Dados médios de ciclo em (dias) e altura (cm), obtidos em ensaios de rendimento conduzidos em Passo Fundo, RS e em Guarapuava, PR, no período 2005 - 2008.  

 Cultivar¹   Ciclo  Altura 
BRS 195    135  69
BRS 225    125  83
BRS Borema  128   87
BRS Cauê  132   72
BRS Elis  135   74
MN 610   131   86
MN 721   126   93
MN 743   129  86
MN 836   130   90
MN 858    130  90

¹Cultivares com siglas BRS são de propriedade da Embrapa enquanto as com a sigla MN pertencem a AmBev. Fonte: Comissão de Pesquisa de Cevada (2009) .

 

Zoneamento Agroclimático

A produção brasileira de cevada, para fins cervejeiros, está concentrada em regiões espalhadas pelos três estados da Região Sul do Brasil (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná).

Clima, genética e manejo são fatores determinantes da produção de cevada com o padrão de qualidade para malteação, particularmente em relação ao poder germinativo, tamanho do grão e teor de proteínas e à sanidade de grãos.

Os mapas indicam a relação das regiões com os respectivos períodos de semeadura, conforme o Zoneamento Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para a cultura da cevada para os estados do Rio Grande do Sul (Figura 1), de Santa Catarina (Figura 2) e do Paraná (Figura 3).

 

Figura 1 - Zoneamento agrícola para cevada cervejeira no Rio Grande do Sul. Fonte: Embrapa Trigo. 

 

Figura 2 - Zoneamento agrícola para cevada cervejeira em Santa Catarina. Fonte: Embrapa Trigo.


 

 

 Figura 3 - Zoneamento agrícola para cevada cervejeira no Paraná. Fonte: Embrapa Trigo. 

 

 

 

A área

A cevada é uma cultura exigente em fertilidade, devido a isso, devem ser realizadas correções de solo para obtenção de alta produtividade.

 

Clima


Típica de clima frio, a cevada é uma opção como cultura de inverno para os produtores de grãos da Região Sul do Brasil. Sendo mais precoce e tolerante ao frio que outros cereais, a cevada pode ser semeada e colhida mais cedo o que, além de permitir a exploração de outras espécies na propriedade, contribui para o melhor aproveitamento de máquinas, equipamentos e mão de obra, bem como para a instalação da safra de verão em época mais adequada. 

 

Manejo e conservação de Solo

O processo de preparação do solo, em sistemas considerados conservadores, onde são executadas arações e/ou gradações superficiais de forma excessiva e sempre nas mesmas profundidades, promove a desestruturação e a transformação da camada arável em uma superficial pulverizada e outra sub superficial compactada. Este processo reduz a infiltração de água no solo, aumentando o escoamento superficial e os riscos de erosão hídrica, além de dificultar o desenvolvimento radicular e reduzir a capacidade produtiva das plantas.Como meio de prevenção a formação de camadas compactadas e de intensificação dos processos de degradação do solo, a pesquisa tem indicado a diminuição da intensidade de preparo do solo associado ao conjunto de práticas conservacionistas orientadas à prevenção da erosão hídrica, tais como uso de técnicas que privilegiem a manutenção da máxima cobertura, cultivo de áreas aptas para culturas anuais e emprego de semeadura em contorno.

Neste contexto, o sistema de plantio direto contitui-se em um Sistema de manejo de solo compatível com as características de clima, de planta e de solo da Região Sul, Sudeste e Centro Oeste do Brasil. O plantio direto tem como foco a exploração agropecuária que envolve diversificação de espécies via rotação de culturas, mobilização de solo apenas na linha/cova de semeadura e manutenção permanente da cobertura de solo.

Desta forma, a adoção do sistema plantio direto objetiva expressar o potencial genético das espécies cultivadas mediante a maximização do fator ambiente e do fator solo, mantendo a sua sustentabilidade. A integração de práticas como o abandono da mobilização do solo, a manutenção permanente da cobertura de solo e a rotação de culturas, assegura a evolução paulatina da melhoria biológica, física e, inclusive, química do solo. O sistema de plantio direto constitui, atualmente, a modalidade de agricultura conservacionista de maior adoção no país.

Embora o Sistema Plantio Direto propicie a cobertura de solo e exerça papel primordial na dissipação da energia erosiva da chuva, há limites críticos de comprimento do declive em que essa eficiência é superada e, consequentemente, o processo de erosão hídrica é estabelecido. Isto porque, em determinadas situações, a cobertura permanente do solo e a consolidação e estabilização da sua estrutura, têm sido insuficientes para disciplinar os fluxos de matéria e de energia gerados pelo ciclo hidrológico, em escala de lavoura ou no âmbito da microbacia hidrográfica.

Apesar da cobertura de solo apresentar potencial para dissipar em até 100% a energia erosiva das gotas de chuva, esta eficiência não é igual para diminuir a energia erosiva da enxurrada. Isto porque o potencial da cobertura em dissipar a energia erosiva da enxurrada de solo é superado, a partir de determinado comprimento de declive, pois permite a flutuação e o transporte de restos culturais, bem como o processo erosivo sob a cobertura. Desta forma, a adoção de técnicas como a semeadura em contorno, terraços, cordões vegetados, culturas em faixas, faixas de retenção, taipas de pedra, canais divergentes, “vertical mulching” entre outras, mostram-se eficientes para o efetivo controle da erosão hídrica.

Portanto, para o controle integral da erosão hídrica, é fundamental dissipar a energia erosiva do impacto das gotas de chuva e a energia erosiva da enxurrada, mediante a manutenção do solo permanentemente coberto e a segmentação do comprimento do declive, respectivamente.   

 

Adubação e calagem

 

A cevada é uma espécie que exige solos de boa fertilidade. Na escolha da área deve ser levado em conta que esta cultura é muito suscetível à acidez do solo.

 

Amostragem

A coleta de amostra de solo pode ser realizada com pá de corte ou trado calador. No sistema plantio direto e no qual a última adubação foi feita na linha de semeadura, a coleta com pá de corte, de uma fatia contínua de 3 a 5 cm de espessura, de entrelinha a entrelinha, é ideal, mas pode ser substituída pela coleta com trado calador numa linha transversal às linhas de semeadura. Neste caso, a coleta deve ser realizada da seguinte forma:

a) coletar 1 ponto no centro da linha e 1 ponto de cada lado, se for cereal de inverno;

b) coletar 1 ponto no centro da linha e 3 pontos de cada lado, se for soja;

c) coletar 1 ponto no centro da linha e 6 pontos de cada lado, se for milho.

Com relação ao número de subamostras por área uniforme, sugere-se amostrar o solo em 15 a 20 pontos, para formar uma amostra composta. Esse número depende diretamente do grau de variabilidade da fertilidade do solo.

No sistema plantio direto, a amostra pode ser coletada na camada de 0 a 10 cm de profundidade, particularmente em lavouras com teores de P e de K no solo abaixo do nível de suficiência. Para solos acima desse nível, a amostragem de 0 a 10 ou de 0 a 20 cm pode ser usada, pois os resultados não afetarão a recomendação de adubação. Quando há evidência de acentuado gradiente de acidez, convém coletar amostras nas camadas de 0 a 10 cm e de 10 a 20 cm, permitindo, dessa forma, conhecimento mais amplo do solo, principalmente no tocante ao teor de alumínio, pois a cevada é muito sensível à esse elemento.

Calagem

Rio Grande do Sul e Santa Catarina

A prática de calagem do solo objetiva reduzir o índice de acidez através da aplicação de calcário, que é composto de CaCO3 e MgCO3. A quantidade de calcário a ser usada varia conforme o índice SMP determinado na análise do solo. De forma geral, o pH adequado para cevada situa-se entre 5,5 e 6,0. A dose de calcário e o modo de aplicação variam em função do sistema de manejo do solo (Tabela 1).

 

Tabela 1 - Quantidade de corretivo de acidez (PRNT = 100%) necessária para elevar o pH do solo a 5,5 e 6,0 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Fonte: Manual de adubação e de calagem para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10 ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2004. 400p.

 

Calagem no estado do Paraná

No estado do Paraná a necessidade de corretivo de acidez é determinada em função da percentagem de saturação por bases (V). Recomenda-se aplicar corretivo de acidez quando esta for inferior a 50%, calculando-se a quantidade de calcário para o solo atingir 70% de saturação por bases.

Adubação
Nitrogênio

A quantidade de fertilizante nitrogenado a aplicar varia, basicamente, em função do teor de matéria orgânica do solo, da cultura precedente e da expectativa de rendimento, a qual é função da interação de vários fatores de produção e das condições climáticas. A quantidade de nitrogênio a ser aplicada na semeadura varia entre 15 e 20 kg ha-1. O restante deve ser aplicado em cobertura, completando o total indicado (Tabela 2).

 

Tabela 2 - Indicações de adubação nitrogenada (kg/ha) para a cultura de cevada, no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Fonte: Manual de adubação e de calagem para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10 ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2004. 400p.

 

A aplicação de nitrogênio em cobertura deve ser realizada entre os estádios de afilhamento e alongamento, correspondendo, em geral, ao estádio em que o colmo principal apresenta 4 a 6 folhas. No caso de resteva de milho, e especialmente quando há presença de muita palha, convém antecipar a aplicação em cobertura. Para cultivar muito suscetível ao acamamento, quantidade menor que a indicada na tabela deve ser empregada. Para a cultivar BRS 195, resistente ao acamamento, a dose máxima de N a aplicar pode chegar a 80 kg ha-1.

Para as demais cultivares, a quantidade de N deve ser administrada de forma a evitar ou reduzir danos por acamamento. Em qualquer circunstância, a quantidade de N a aplicar deve ser módica, pois excesso de N pode produzir grão contendo mais de 12% de proteína, tornado- o impróprio para a fabricação de malte.

Para quantidades acima de 40 kg N ha-1, pode-se optar pelo fracionamento em duas aplicações:

a) No início do afilhamento;

b) O restante, no início do alongamento.
Além da observância do estádio da planta (afilhamento/alongamento), é importante considerar, no momento da aplicação do fertilizante em cobertura, a umidade do solo, pois ao aplicar o fertilizante na superfície do solo, há necessidade de que ele seja dissolvido e transportado pela água para o interior do solo. Dessa forma, a aplicação só deverá ser feita quando o solo apresentar umidade suficiente para que esses processos (dissolução e transporte no solo) possam ocorrer.

O melhor momento de aplicação é antes de uma precipitação pluvial de média intensidade (10 a 20 mm), pois a dissolução e o transporte de N para as raízes serão rápidos, minimizando-se, assim, perdas por volatilização de amônia. Por outro lado, precipitações pluviais prolongadas, ou de alta intensidade, podem propiciar perdas de N por lixiviação ou por escoamento superficial.

Em razão das reações que ocorrem com o fertilizante nitrogenado ao ser dissolvido pela água e das possíveis perdas de N por volatilização, mormente de uréia, sugere- se aplicar o fertilizante nas horas menos quentes do dia. Para obter distribuição uniforme, períodos com vento devem ser evitados.

As principais fontes de nitrogênio são a uréia (45% N), o nitrato de amônio (32% N) e o sulfato de amônio (20% N). A eficiência agronômica desses fertilizantes para a cultura da cevada é idêntica. Por essa razão, indica-se o uso da fonte de menor custo por unidade de N.

 

Fósforo e potássio

A quantidade de fertilizante contendo P e K a aplicar varia em função dos teores desses nutrientes no solo (Tabelas 3 e 4).

 

Tabela 3 - Interpretação dos teores de fósforo e de potássio no solo, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Fonte: Manual de adubação e de calagem para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10 ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2004. 400p.

 

Tabela 4 - Teores de P e de K no solo e respectivas doses de P2O5 e de K2O para a cultura da cevada no Paraná.

 

O limite superior do teor “Médio” é considerado o nível crítico de P e de K no solo, cujo nível deve ser mantido pela aplicação de quantidade adequada de fertilizante. A partir do limite superior do teor “Alto”, a probabilidade de resposta à aplicação de fertilizante é muito pequena ou nula.

No Rio Grande do Sul o sistema de recomendação de adubação para P e para K oferece duas alternativas para a produção de grãos:

a) Adubação corretiva gradual;

b) Adubação corretiva total.

A primeira opção é indicada quando há menor disponibilidade de recursos financeiros, sendo a quantidade total de P ou K aplicada ao solo no decurso de duas safras. Já a adubação corretiva total é indicada quando há disponibilidade de recursos financeiros para investimento, sendo a aplicação de P e de K, necessária para corrigir a deficiência do solo, aplicada de uma só vez. Em ambos os casos, a meta é elevar os teores de P e de K no solo ao nível adequado para o desenvolvimento das plantas. No caso de solos arenosos (< 20% de argila) ou com CTC < 5 cmolc dm-3, não se recomenda a adubação corretiva total de K.

As quantidades de P2O5 e de K2O (Tabela 5) são indicadas em função de dois parâmetros básicos:

a) a quantidade necessária para o solo atingir o limite superior do nível “Médio” em duas safras/culturas (adubação de correção);

b) a exportação desses nutrientes pelos grãos acrescidos de perdas naturais do sistema.

 

Tabela 5 - Quantidades de fósforo e de potássio a aplicar ao solo para a cultura de cevada no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Fonte: Manual de adubação e de calagem para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10 ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2004. 400p.

 

Nas faixas de teores “Muito baixo”, “Baixo” e “Médio”, a diferença entre a quantidade indicada em cada cultivo e a manutenção é a adubação de correção, ou seja, é a quantidade necessária para elevar o teor do nutriente no solo ao nível crítico em duas safras. No caso em que será feita a correção total no 1º cultivo, a dose a aplicar dever ser a soma das quantidades dos dois cultivos menos a manutenção do 2º cultivo. Assim, por exemplo, se o rendimento referência for 2 t ha-1 e se o teor de P for “Baixo”, a dose a aplicar na cultura da cevada será de 90 kg P2O5 ha-1, que corresponde, portanto, a 60 kg de adubação corretiva e 30 kg de manutenção. E, se o 2º cultivo for soja e o rendimento esperado dessa cultura for 2 t ha-1, aplicar-se-á somente a manutenção para essa cultura (30 kg ha-1), pois o solo já terá atingido o nível de P desejado.

Com base nesses critérios, ter-se-á uma adubação que permitirá aumentar, e posteriormente manter, o teor no solo, obtendo-se, assim, produção elevada e retorno econômico. As quantidades da Tabela 5 presumem um rendimento aproximado de 2 t ha-1. Para rendimentos superiores, deverão ser acrescentados aos valores da tabela, por tonelada de grãos, 15 kg de P2O5 e 10 kg de K2O. Na Tabela 3, os teores de P e de K interpretados como “Alto” e “Muito alto” representam situações nas quais é esperado desenvolvimento máximo da cultura e as doses de P2O5 e de K2O indicadas para essas faixas na Tabela 5 representam a adubação de manutenção (30 kg de P2O5 e 20 kg de K2O).

 

Densidade, espaçamento e profundidade de semeadura

A população de plantas que deve ser estabelecida em uma área de cultivo de cevada deve ficar entre 250 e 300 plantas m2, com um espaçamento entre 12 e 17 cm a uma profundidade de 3 a 5 cm. Algumas cultivares, como as porte baixo e alto afilhamento BRS 195, BRS Cauê e BRS Elis, respondem de forma significativamente na produção de grãos maiores quando semeadas em espaçamentos maiores, entre 17 e 34 cm (com uma linha não semeada a cada duas semeadas), mantendo-se a quantidade de semente por área.


 
 Tratamento de sementes

As sementes de cevada, freqüentemente, encontram-se infectadas por fungos patogênicos, entre eles Pyrenophora teres e Cochliobolus sativus. Para evitar a introdução de organismos patogênicos, principalmente em áreas onde se pratica rotação de culturas, recomenda-se o tratamento de sementes com fungicidas registrados. A eficácia dos fungicidas recomendados para o tratamento de sementes depende, fundamentalmente, da uniformidade de distribuição dos produtos sobre elas. Para tanto, os fungicidas devem ser adicionados parceladamente para que todas as sementes sejam cobertas de maneira uniforme.

Colheita

A colheita de cevada para a produção de malte é uma etapa muito importante, haja vista as características que os grãos devem apresentar para que sejam considerados adequados a essa finalidade. O mercado de cevada cervejeira segue os padrões de qualidade estabelecidos na Portaria 691/96, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Segundo essa portaria, a cevada para malte deve apresentar índice mínimo de 95% de poder germinativo e máximo de 13% para umidade, 12% para proteínas, 3% para matérias estranhas e 5% para grãos avariados. Além disso, é desejável que os grãos apresentem cor e cheiro característicos de palha. Dessa maneira, cuidados devem ser tomados para evitar perdas nessa importante fase do processo de produção.

Aconselha-se efetuar a colheita em dias secos, evitando-se as primeiras horas da manhã e, sempre que possível, quando o teor de umidade do grão estiver abaixo de 15%, de maneira a evitar o processo de secagem artificial e a colheita de grãos verdes. A máquina colhedora deve ser adequadamente regulada, a fim de se evitar perdas de grãos retidos nas espigas, descascamento e quebra de grãos e o recolhimento de materiais estranhos. Colher as áreas da lavoura com manchas de plantas/espigas/grãos ainda verdes em separado das áreas maduras/secas.

 

Pré limpeza

Essa operação é recomendada para a remoção de impurezas, bem como de grãos tipo refugo, que não interessam ao fabricante de malte. O refugo poderá ser utilizado na propriedade na alimentação de animais ou, então, ser vendido à fabricantes de ração, conseguindo-se, em geral, remuneração superior a praticada pelas industrias de malte para esse tipo de grão. Recomenda-se, para essa operação, o uso de peneiras de 1,8 mm de diâmetro.

 

Secagem

Os teores de umidade de grão recomendados para a conservação de cevada são de 13%, para períodos relativamente curtos, e de 12%, para períodos mais longos.

Dessa maneira, toda a produção colhida com umidade superior às indicadas para armazenamento deve ser secada previamente. Como a manutenção de alta porcentagem de germinação é indispensável, o emprego de temperaturas excessivamente elevadas durante o processo de secagem pode ser altamente prejudicial.

A temperatura máxima indicada para a secagem de cevada para malte é de 45ºC, medidos na massa de grãos. Essa temperatura é em geral conseguida usando-se temperaturas de próximas a 65ºC, medida na entrada de ar dos secadores. Para lotes com mais de 16% de umidade, recomenda-se a secagem em etapas, retirando-se em torno de 3% de umidade por etapa. A operação de secagem tem de ser realizada imediatamente após a colheita.

 

 

José Luis da Silva Nunes

Eng. Agrº, Dr. em Fitotecnia

 

 


Referências

DE MORI, C.; IGNACZAK, J. C.; GARAGORRY, F. L.; CHAIB FILHO, H. Dinâmica da produção de cevada no Brasil no período de 1975 a 2003. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2007. 33 p. html (Embrapa Trigo. Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento Online, 37).

 

Manual de adubação e de calagem para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10 ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2004. 400p.

 


 


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