Agronegócio

Doença

Doença

Extremamente aguda contagiosa, que acomete todos os animais de casco fendido e caracterizada por febre e erupções vesiculares da boca e dos cascos.

HISTÓRICO DA DOENÇA

A febre aftosa foi relatada cientificamente como sendo uma doença extremamente contagiosa na Itália no século XVI e nesta época infectou muitos bovinos em 1514, espalhando-se para a França e Inglaterra. No século XIX, a doença foi observada em vários países da Europa, Ásia, África e América. Em 1870, foi detectado pela primeira vez na América, afetando os bovinos da Argentina

Com o desenvolvimento da agricultura houve também uma grande preocupação em controlar esta enfermidade e no início do século passado vários países decidiram combatê-la.

A enfermidade agora está presente de forma endêmica em algumas regiões da Ásia, América do Sul, África e no Oriente Médio. Surtos da doença tem ocorrido em alguns países como Grécia, Taiwan, Argentina, Brasil, Uruguai, Japão e no Reino Unido.

Os prejuízos são causados pelas perdas diretas devido aos sinais clínicos, com conseqüente queda na produção, e pelas perdas indiretas através dos embargos econômicos impostos pelos países importadores. .

Etiologia

O agente etiológico da febre aftosa é um vírus da família Picornaviridae, gênero Aphtovírus.

Sete sorotipos já foram identificados (A, O, C, SAT1, SAT2, SAT3 e Ásia 1) e estão distribuídos em diferentes regiões geográficas.

Todos os sorotipos possuem uma grande variedade de subtipos, o que acarreta dificuldades para o controle e erradicação da enfermidade.

Resistência a ação física e química:
Temperatura : Sobrevive sob refrigeração e congelamento e podendo ser inativado com temperaturas superiores a 50°C.

pH : É inativado em pH abaixo de 6,0 ou acima de 9,0.

Desinfetantes: Inativado por hidróxido de sódio (2%), carbonato de sódio (4%) e ácido cítrico (0,2%). Resistente a iodóforos, compostos quarternários de amônio, hipoclorito e fenol, especialmente em presença de matéria orgânica.

Sobrevivência: sobrevive nos gânglios linfáticos e na medula óssea com ph neutro, mas são destruídos nos músculos a pH menores que 6,0, após rigor mortis. O vírus da febre aftosa é extremamente resistente no meio ambiente e em material orgânico como fezes, sangue e em condições de alta umidade e pouca incidência solar. Persisti nas pastagens contaminadas e no meio ambiente por 1 mês, em condições ideais de temperatura e pH.

Epidemiologia e Patogenia

Trata-se de uma das doenças mais contagiosas, que causa importantes perdas econômicas.

Apresenta baixa taxa de mortalidade em animais adultos, mas alta mortalidade em jovens devido à miocardite.

Hospedeiros:

Bovinos (entre eles, zebus e búfalos domésticos), ovinos, caprinos, suínos e todos ruminantes selvagens são afetados, sendo que camelos, dromedários, lhamas e vicunhas apresentam baixa suscetibilidade e eqüinos são refratários a doença.

Transmissão:

A transmissão ocorre por contato direto ou indireto através de secreções, vetores animados como o humano ou outros animais, vetores inanimados, como equipamentos e utensílios, que tiveram contato com animais afetados. Pode ocorrer transmitissão via aerossóis em condições naturais num raio de distância de 60km e 300km sobre o mar.

Os animais contaminados podem transmitir a doença durante o período de incubação e manifestação da aftosa, sendo que o O período de incubação em animais vivos e não vacinados é de 2 a 14 dias, após os quais começam a aparecer sintomas como vesículas e aftas nas mucosas e língua, feridas no úbere e nos cascos.  O ar expirado, saliva, fezes, urina, leite e sêmen de animais doentes provocam contaminação até quatro dias antes do aparecimento dos primeiros sintomas clínicos. 

A viremia persiste por 3-5 dias, com disseminação e replicação do vírus em células epiteliais.

As vesículas desenvolvem-se a medida que o vírus se replica dentro de um grupo de células epiteliais, causando sua ruptura e criando uma grande "bolha" cheia de fluido dentro do epitélio. Esse fluido vesicular contem quantidades abundantes de partículas virais que também persistem nas células vizinhas por 3-8 dias, diminuindo em número a medida que anticorpos são formados.

A replicação do vírus no epitélio da glândula mamária também ocorre e o vírus pode ser encontrado no leite pelo menos por 10 dias após o início da infecção, quando então anticorpos neutralizantes são produzidos.

Carne e produtos derivados com pH acima de 6,0 também conservam o vírus e são fontes virais. Bovinos vacinados expostos à doença ou infectados e não abatidos conservam o vírus por 30 meses ou mais; nos ovinos o período de conservação é de 9 meses.

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